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Associação ligada ao tráfico articulou agenda de Lula e Janja em favela de SP
Associação ligada ao tráfico articulou agenda de Lula e Janja em favela de SP
ONG que recebeu comitiva presidencial é presidida por irmã de traficante preso; sede foi usada para guardar drogas, segundo investigação
Por: Redação
08/07/2025 às 09:00

Foto: Cláudio Kbene/PR
Uma visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e da primeira-dama Janja da Silva à Favela do Moinho, no centro de São Paulo, foi articulada com uma associação comunitária cujo histórico inclui vínculos com o tráfico de drogas. Documentos obtidos pela reportagem revelam que a sede da Associação da Comunidade do Moinho foi utilizada para armazenar entorpecentes para o Primeiro Comando da Capital (PCC), conforme investigações da Polícia Civil e do Ministério Público paulista.
A presidente da ONG, Alessandra Moja Cunha, é irmã de Leonardo Monteiro Moja — o “Léo do Moinho” —, apontado como ex-chefe do tráfico na região e preso em agosto de 2023 durante a operação Salus et Dignitas, que também apreendeu drogas no endereço oficial da entidade, na Rua Doutor Elias Chaves, nº 20. O mesmo local aparece na agenda oficial do ministro Márcio Macêdo (Secretaria-Geral da Presidência), que esteve no imóvel dois dias antes da visita presidencial para negociar os detalhes da agenda.
Lula e Janja estiveram na comunidade no fim de junho, onde posaram para fotos com representantes da associação e anunciaram um plano de realocação para cerca de 900 famílias que vivem na área. O terreno, que pertence à União, deve ser transformado em um parque.
Questionado, o ministro Macêdo afirmou que o encontro com a entidade teve como única pauta a proposta de solução habitacional para os moradores. “O diálogo com lideranças comunitárias é parte fundamental da atuação de qualquer governo comprometido com políticas de inclusão social, habitação e valorização da cidadania”, declarou em nota.
A Favela do Moinho é considerada uma área de controle do PCC, com acesso restrito a não moradores. A atuação de lideranças locais ligadas ao crime tem sido apontada por promotores como um obstáculo para intervenções públicas na região.
Alessandra Moja Cunha, presidente da associação anfitriã da visita, já foi condenada por homicídio e cumpriu parte da pena em regime fechado. Apesar do histórico, ela tem atuado como representante da comunidade em negociações com o poder público.
A presença de Lula e Janja, ao lado de uma liderança com esse perfil, reacende o debate sobre os critérios adotados pelo governo federal para o diálogo com movimentos sociais em territórios vulneráveis. Internamente, a situação também pressiona o ministro Márcio Macêdo, que já era alvo de críticas pela baixa mobilização popular nos eventos oficiais e chegou a ter seu nome cogitado para substituição durante discussões sobre uma reforma ministerial.
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