Beneficiário do Bolsa Família assume empresa de ônibus de R$ 3 milhões
Mudança societária envolve grupo com dívidas milionárias e levanta questionamentos sobre controle real das companhias
Por: Redação
31/03/2026 às 09:45

Foto: Divulgação
Duas empresas de transporte coletivo em São Luís (MA), que acumulam dívidas de aproximadamente R$ 177 milhões, foram transferidas para o nome de um beneficiário do Bolsa Família, em uma operação que levanta suspeitas sobre o uso de “laranjas” para ocultação patrimonial.
Documentos registrados na Junta Comercial do Maranhão mostram que Willame Alves dos Santos, de 26 anos, passou a ser sócio-administrador da DAJP Participações Ltda, holding que controla as empresas Expresso Rei de França e Expresso Grapiúna, integrantes do sistema de transporte da capital maranhense. A companhia possui capital social de R$ 3 milhões.
Segundo os registros, a totalidade das cotas foi transferida para Willame em janeiro deste ano, anteriormente vinculadas à empresária Deborah Piorski Ferreira, ligada ao empresário Pedro Paulo Pinheiro Ferreira, conhecido como “PP” e apontado como sócio oculto do grupo.
Apesar de constar como proprietário formal, Willame é beneficiário do Bolsa Família desde 2020, recebendo cerca de R$ 600 mensais. Ele também possui histórico de ocorrências policiais, incluindo prisão por suspeita de estelionato e posse de drogas, além de processos por inadimplência.
A situação chama atenção pela discrepância entre a condição financeira declarada e a aquisição de uma empresa com capital milionário, reforçando suspeitas de que a mudança societária tenha sido utilizada para contornar bloqueios judiciais.
De acordo com apurações, o grupo empresarial já teria realizado movimentações financeiras relevantes mesmo em meio a restrições judiciais. Extratos indicam repasses de valores milionários a empresas ligadas ao mesmo núcleo, incluindo transferências que somam R$ 6,7 milhões em débitos, com parte destinada a uma mineradora.
O empresário Pedro Paulo, apontado como figura central do grupo, ocupa atualmente cargo de vice-presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de São Luís (SET), entidade responsável pela gestão das receitas do transporte público local — o que amplia a relevância do caso.
As empresas envolvidas anunciaram recentemente a paralisação temporária das atividades na capital maranhense, alegando falta de repasses da prefeitura, enquanto a reestruturação societária segue sem explicações públicas por parte dos responsáveis.
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