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PF mira ex-assessor do STJ em nova fase de operação sobre venda de decisões judiciais

PF mira ex-assessor do STJ em nova fase de operação sobre venda de decisões judiciais

Investigação aponta repasses milionários, vazamento de informações e tentativa de obstrução

Por: Redação

31/03/2026 às 10:56

Imagem de PF mira ex-assessor do STJ em nova fase de operação sobre venda de decisões judiciais

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (31), uma nova fase da Operação Sisamnes, que investiga um suposto esquema de venda de decisões judiciais envolvendo assessores do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O principal alvo da ação foi o ex-servidor Márcio José Toledo Pinto, já desligado do tribunal. Agentes cumpriram mandado de busca e apreensão na residência dele, no Distrito Federal.

Segundo a PF, o investigado teria utilizado sua posição no STJ para acessar, editar e compartilhar minutas de decisões judiciais de forma indevida. As informações seriam repassadas a um lobista interessado no conteúdo, o que, de acordo com os investigadores, configuraria um esquema estruturado de comercialização de decisões judiciais.

Relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) aponta que o ex-assessor também teria vazado dados sigilosos e atuado diretamente na negociação dessas informações.

A apuração identificou ainda movimentações financeiras consideradas atípicas. De acordo com a PF, o lobista Andreson de Oliveira Gonçalves teria transferido ao menos R$ 4 milhões ao ex-servidor. Os repasses teriam sido realizados por meio de uma empresa registrada em nome da esposa de Márcio, como forma de ocultar a origem dos valores.

A nova fase da operação foi autorizada após indícios de tentativa de obstrução das investigações. Há suspeitas de que o investigado tenha monitorado agentes envolvidos no caso.

Diante desses elementos, a Polícia Federal solicitou a prisão temporária do ex-assessor, mas o pedido foi negado pelo ministro Cristiano Zanin, do STF — decisão que, na prática, manteve o investigado em liberdade durante o avanço das apurações.

A Operação Sisamnes, iniciada em 2024, investiga possíveis práticas de corrupção dentro do Judiciário. Márcio já havia sido alvo da primeira fase e foi indiciado por crimes como corrupção passiva e violação de sigilo funcional.

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