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Brasil reage à expulsão de delegado da PF e tensão com EUA aumenta

Brasil reage à expulsão de delegado da PF e tensão com EUA aumenta

Governo Lula adota princípio de reciprocidade após decisão americana envolvendo cooperação policial

Por: Redação

23/04/2026 às 08:05

Imagem de Brasil reage à expulsão de delegado da PF e tensão com EUA aumenta

Foto: Andrew Harnik/Getty Images

As relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos voltaram a se deteriorar após o governo do presidente Donald Trump determinar a retirada de um delegado da Polícia Federal brasileira que atuava como oficial de ligação junto ao Serviço de Imigração e Alfândega (ICE).

A medida atingiu o delegado Marcelo Ivo de Carvalho, que exercia a função desde agosto de 2023, atuando na cooperação entre autoridades dos dois países em temas como imigração e segurança. Segundo o Departamento de Estado norte-americano, a decisão foi motivada por suposta tentativa de interferência em processo de extradição.

O episódio está relacionado à detenção do ex-deputado Alexandre Ramagem nos Estados Unidos. Ele foi preso em 13 de abril, em Orlando, por estar com o visto vencido, e liberado dois dias depois. Considerado foragido pela Justiça brasileira, Ramagem é alvo de pedido de extradição.

A decisão americana gerou reação imediata do governo brasileiro. Com base no princípio da reciprocidade, a Polícia Federal retirou as credenciais de um agente de imigração dos Estados Unidos que atuava em Brasília.

O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou que a medida seguiu o padrão diplomático de resposta equivalente entre países. A decisão foi respaldada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que comentou o caso publicamente. “O que eles fizeram conosco, a gente vai fazer com eles, esperando que eles estejam dispostos a voltar a conversar e as coisas voltarem à normalidade”, declarou.

O Ministério das Relações Exteriores também criticou a condução do caso pelos Estados Unidos. Em nota, o Itamaraty afirmou que a retirada do delegado ocorreu sem comunicação prévia e desrespeitou práticas diplomáticas consolidadas.

O tema foi discutido em reunião entre representantes dos dois países, realizada após o episódio, mas ainda sem solução definitiva.

O caso se soma a uma série de atritos recentes entre os governos. Entre eles, disputas comerciais envolvendo tarifas sobre produtos brasileiros e críticas americanas a decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), interpretadas pelo governo brasileiro como interferência em assuntos internos.

Outro ponto de tensão envolve a possibilidade de os Estados Unidos classificarem facções criminosas brasileiras como organizações terroristas, medida que pode ter impactos jurídicos e diplomáticos relevantes.

Apesar de tentativas recentes de aproximação entre Lula e Trump, incluindo contatos diretos e declarações públicas mais moderadas, a relação bilateral segue marcada por divergências políticas e episódios de desgaste.

Nos últimos dias, durante agenda na Europa, Lula voltou a fazer críticas ao governo norte-americano, mencionando o que classificou como postura unilateral em temas internacionais e criticando declarações do presidente dos Estados Unidos.

Diante do novo impasse, a perspectiva de avanço nas relações entre os dois países permanece incerta, com impacto potencial em áreas como cooperação policial, comércio e diplomacia internacional.

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