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Câmara apura acesso a computadores de 89 servidores após vazamento de informações
Câmara apura acesso a computadores de 89 servidores após vazamento de informações
Investigação interna alcança assessores da presidência da Casa e lideranças partidárias em busca da origem de dados repassados à imprensa
Por: Redação
15/06/2026 às 09:20

Foto: Lula Marques/ Agência Brasil
A Câmara dos Deputados abriu uma investigação interna que analisou registros de computadores de 89 servidores da Casa após o vazamento de informações relacionadas a uma viagem oficial cancelada. A apuração é conduzida pela Comissão Permanente de Disciplina (Copedi) e inclui a análise de acessos realizados por assessores da presidência da Câmara e de diferentes lideranças partidárias.
Entre os servidores cujas atividades foram consultadas estão seis assessores ligados ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), além do secretário-geral da Mesa, Lucas Ribeiro Almeida Júnior. Também aparecem na relação integrantes da liderança do PT, da Segunda Secretaria da Casa e da Liderança da Minoria.
Segundo os documentos da investigação, a Diretoria de Tecnologia extraiu informações sobre acessos ao sistema interno da Câmara, incluindo datas, horários e processos consultados. O material reunido pela apuração soma mais de 800 páginas.
O objetivo da investigação é identificar a origem do vazamento de informações relacionadas a diárias de uma viagem oficial cancelada do diretor-geral da Câmara, Guilherme Brandão, para Lisboa. Em uma das medidas adotadas, policiais legislativos recolheram um computador utilizado na liderança do Cidadania após suspeitas de possível ligação com o caso.
A análise dos registros levou à abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra um servidor da Câmara. Segundo a apuração, ele teria acessado documentos relacionados à concessão de horas extras para Guilherme Brandão.
Os pagamentos de horas extras também passaram a chamar atenção durante a investigação. Dados citados no processo indicam que Brandão recebeu R$ 22,9 mil em horas extras apenas em março deste ano. Em 2025, ele e outros diretores da Casa receberam valores superiores a R$ 130 mil cada a esse título.
Em nota, a Câmara dos Deputados afirmou que não há irregularidades nos pagamentos e explicou que os servidores ocupantes dos cargos mencionados cumprem jornadas que frequentemente ultrapassam as 40 horas semanais. A Casa também ressaltou que a apuração de possíveis irregularidades é uma obrigação administrativa e que a consulta aos registros de acesso não significa que os servidores analisados sejam alvos da investigação.
O caso segue sob análise da Comissão Permanente de Disciplina, que busca identificar os responsáveis pelo vazamento das informações e avaliar eventual descumprimento de normas internas da Câmara dos Deputados.
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