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Cidades administradas pelo PL receberam mais de R$ 80 milhões em emendas atribuídas a Valdemar, aponta investigação

Cidades administradas pelo PL receberam mais de R$ 80 milhões em emendas atribuídas a Valdemar, aponta investigação

Recursos sob apuração da Polícia Federal foram destinados majoritariamente a municípios governados pelo partido; defesa do presidente do PL nega irregularidades

Por: Redação

11/07/2026 às 08:34

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Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Municípios administrados por prefeitos ou vice-prefeitos do Partido Liberal (PL) receberam mais de R$ 80 milhões em emendas parlamentares que a Polícia Federal atribui ao presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto. Os recursos fazem parte da investigação que apura o suposto direcionamento irregular de verbas do Orçamento da União e motivou o bloqueio cautelar de bens determinado pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo a decisão, a Polícia Federal investiga a suspeita de que Valdemar tenha exercido influência sobre a destinação de emendas parlamentares mesmo sem ocupar mandato eletivo. A medida cautelar determinou a indisponibilidade de bens do dirigente do PL em valor próximo de R$ 120 milhões. Até o momento, não há condenação no caso, e a defesa nega a prática de qualquer crime.

Entre os municípios citados na investigação, Suzano (SP) aparece como o principal destino dos recursos, com quase R$ 27 milhões provenientes de duas emendas da Comissão de Saúde de 2024. Em seguida está Porto Seguro (BA), que recebeu aproximadamente R$ 25 milhões em indicações atribuídas a Valdemar Costa Neto.

Também constam na relação Santa Fé do Sul (R$ 9,5 milhões), Bebedouro (R$ 9 milhões), Ubatuba (R$ 7 milhões), Mogi das Cruzes (R$ 3 milhões), Macedônia (R$ 220 mil) e Ilha Solteira (R$ 220 mil). Com exceção de Porto Seguro, todos esses municípios estão localizados no Estado de São Paulo.

A investigação ainda identificou cerca de R$ 5,3 milhões destinados a municípios governados por chapas que tiveram o PL na coligação vencedora das eleições de 2024. Morro do Chapéu (BA) recebeu R$ 4,8 milhões, enquanto Presidente Venceslau (SP) e Guaimbê (SP) foram contempladas com R$ 220 mil e R$ 280 mil, respectivamente. Somados, os recursos destinados a administrações do PL ou a aliados da legenda superam R$ 86 milhões, o equivalente a mais de 70% do valor bloqueado por determinação do STF.

A reportagem ressalta que a vinculação partidária entre Valdemar Costa Neto e os prefeitos beneficiados, por si só, não comprova irregularidade na aplicação dos recursos. A apuração da Polícia Federal concentra-se na suspeita de que uma pessoa sem mandato parlamentar teria participado da definição dos destinos das emendas, atribuição que cabe formalmente a integrantes do Congresso Nacional.

Conforme a investigação, 21 emendas foram associadas a Valdemar Costa Neto, sendo 15 destinadas a municípios paulistas. Parte dos elementos reunidos pela Polícia Federal teve origem em mensagens encontradas no celular de Mariângela Fialek, conhecida como "Tuca", ex-assessora da Câmara dos Deputados, que, segundo os investigadores, teria atuado na operacionalização das indicações.

Em nota, a defesa de Valdemar Costa Neto afirmou ter recebido a decisão com surpresa, classificou seus fundamentos como frágeis e reiterou que o presidente do PL "nega categoricamente a prática de qualquer crime". Os advogados sustentam que a interlocução entre dirigentes partidários e parlamentares sobre prioridades e destinação de recursos faz parte da atividade política.

 

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