Conversas podem levar PGR a investigar Moraes; entenda
Diálogos extraídos pela Polícia Federal levantam questionamentos sobre contatos entre o ministro do STF e o ex-banqueiro investigado por fraudes bilionárias
Por: Redação
06/03/2026 às 17:56

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro pela Polícia Federal trouxeram novos questionamentos sobre a relação entre o empresário e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. O material, cuja divulgação parcial foi autorizada pelo ministro André Mendonça, inclui conversas que mencionam diretamente o magistrado e que passaram a levantar suspeitas sobre a natureza desses contatos.
As informações vieram à tona após reportagens publicadas inicialmente pelo jornal O Globo e posteriormente confirmadas por outros veículos. Os diálogos analisados fazem parte de um volume muito maior de mensagens recuperadas do aparelho de Vorcaro, apreendido durante as investigações que apuram um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras ligado ao Banco Master.
Parte das conversas divulgadas aparece de forma incompleta. Isso ocorre porque algumas mensagens teriam sido enviadas utilizando o recurso de visualização única, que apaga automaticamente o conteúdo após a leitura. Com o celular do empresário em mãos, os investigadores conseguiram recuperar os textos enviados por Vorcaro, mas as respostas atribuídas ao ministro permanecem desconhecidas.
Entre os registros revelados, consta uma mensagem em que o ex-banqueiro informa: “Amanhã começam as batidas do Esteves. Tô indo assinar com os investidores de fora e estou online”. Segundo os registros analisados, Moraes teria reagido à mensagem com um emoji de aprovação.
O conteúdo da conversa não esclarece exatamente o contexto da comunicação. A referência mencionada na mensagem pode estar relacionada ao banqueiro André Esteves, controlador do BTG Pactual, embora o teor completo da interação permaneça incerto.
A existência dessas trocas de mensagens ganhou ainda mais repercussão diante do contexto das investigações contra Vorcaro. À época em que alguns dos contatos teriam ocorrido, já havia suspeitas sobre a gestão do Banco Master e questionamentos sobre práticas financeiras da instituição.
Outro ponto que passou a ser analisado é o contrato firmado entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF. O acordo, firmado em janeiro de 2024, previa pagamentos que poderiam chegar a cerca de 129 milhões de reais ao longo de três anos.
O valor elevado do contrato chamou atenção no meio jurídico e financeiro, especialmente diante do porte do escritório responsável pelo serviço. A divulgação desse vínculo ampliou os questionamentos sobre a relação entre o banqueiro e pessoas próximas ao ministro do Supremo.
As suspeitas em torno do Banco Master começaram a ganhar maior repercussão pública após reportagens publicadas em 2024 apontarem estratégias financeiras consideradas de alto risco e possíveis irregularidades na gestão da instituição. As investigações posteriores levaram à liquidação do banco e à prisão de Vorcaro, aprofundando a crise envolvendo o caso.
Com a divulgação das mensagens, cresce a pressão por esclarecimentos sobre a extensão das relações entre o ex-banqueiro e integrantes de instituições públicas, especialmente diante da sensibilidade institucional que envolve membros da mais alta corte do país.
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