Crise no MEC: alunos da rede pública terão só dois livros didáticos em 2026
Sem verba suficiente, MEC entregará apenas materiais de Português e Matemática para alunos do 1º ao 5º ano; parte dos estudantes do ensino médio só receberá livros com seis meses de atraso
Por: Redação
23/07/2025 às 06:15

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
O Ministério da Educação (MEC) comunicou que não terá recursos suficientes para fornecer todos os livros didáticos da rede pública em 2026. A informação foi confirmada às editoras responsáveis pelo fornecimento, que agora trabalham com a possibilidade de uma entrega parcial dos materiais, afetando diretamente alunos do ensino fundamental e médio.
De acordo com a Associação Brasileira de Livros e Conteúdos Educacionais (Abrelivros), os estudantes do 1º ao 5º ano do ensino fundamental receberão inicialmente apenas os livros de Língua Portuguesa e Matemática. As demais disciplinas, como História, Geografia, Ciências e Artes, devem ficar de fora — pelo menos até que novas verbas sejam liberadas. No ensino médio, cerca de 40% dos livros previstos só serão adquiridos em 2026, o que pode gerar um atraso de até seis meses no acesso ao conteúdo.
Segundo Angelo Xavier, presidente da Abrelivros, o orçamento necessário para garantir o fornecimento total dos livros chega a R$ 3,5 bilhões, considerando também os custos de distribuição. No entanto, o governo federal liberou apenas R$ 2 bilhões. “É a primeira vez que vejo o MEC comprar só dois livros por aluno. Isso é desastroso para a aprendizagem”, declarou Xavier.
O próprio MEC reconheceu a gravidade da situação em nota oficial. A pasta afirmou que adotou a chamada “compra escalonada” como estratégia diante de um "cenário orçamentário desafiador". O governo diz ainda que a medida atende a uma demanda das redes de ensino e que a complementação dos livros ocorrerá posteriormente, sem garantir se será ainda em 2025.
A medida também afeta diretamente as crianças que ingressam no ciclo escolar em 2026, já que os livros de algumas disciplinas, como História e Ciências, são consumíveis — ou seja, escritos e coloridos pelos alunos, não podendo ser reaproveitados.
No ensino médio, a situação é igualmente preocupante. A proposta é comprar 60% dos 84 milhões de exemplares ainda em 2025 e deixar os 40% restantes para o ano seguinte. Isso deve provocar atrasos, uma vez que a produção e distribuição dos livros demandam meses. A incerteza sobre quais estados serão priorizados — se os mais distantes ou os mais populosos — aumenta a tensão entre educadores.
A crise orçamentária coincide com a transição de modelo educacional. Após críticas ao Novo Ensino Médio, o governo decidiu retomar o formato anterior, em que cada disciplina tem seu próprio livro, elevando os custos da nova licitação.
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