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Cunhado de Daniel Vorcaro comprou sítio de servidor do Banco Central por R$ 3 milhões

Cunhado de Daniel Vorcaro comprou sítio de servidor do Banco Central por R$ 3 milhões

Transação envolve aliado do banqueiro investigado e levanta suspeitas em apuração sobre possível enriquecimento ilícito

Por: Redação

07/03/2026 às 08:34

Imagem de Cunhado de Daniel Vorcaro comprou sítio de servidor do Banco Central por R$ 3 milhões

Foto: Reprodução/Space Money

Uma negociação imobiliária envolvendo familiares e aliados do ex-banqueiro Daniel Vorcaro passou a chamar atenção das investigações que cercam o escândalo do Banco Master. O empresário e pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, adquiriu uma propriedade rural de 43,56 hectares no município de Juruaia, no sul de Minas Gerais, por R$ 3 milhões.

O imóvel, conhecido como Sítio Alto do Mirante e utilizado para plantação de café, pertenceu anteriormente ao servidor do Banco Central Paulo Sergio Neves de Souza e a dois familiares. O contrato de compra e venda prevê uma entrada de R$ 750 mil paga à vista, seguida de três parcelas anuais no mesmo valor, com vencimentos em janeiro de 2022, 2023 e 2024.

A propriedade tem dimensão equivalente a cerca de 60 campos de futebol. A transação ocorreu em janeiro de 2021, conforme consta na escritura do imóvel.

Paulo Sergio atuava como chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central e é apontado pelas investigações como um aliado de Vorcaro dentro da autoridade monetária. Além dele, também figuram como vendedores do sítio a psicóloga Lavinia Vieira Costa Monteiro — esposa do servidor — e o produtor rural Luis Roberto, que também mantém relações comerciais com pessoas ligadas ao banqueiro.

Segundo registros da Receita Federal, Luis Roberto aparece como administrador de uma empresa imobiliária ligada ao próprio Fabiano Zettel, o que reforça as conexões entre os envolvidos.

As investigações revelaram ainda que o servidor do Banco Central realizou outras aquisições imobiliárias relevantes. Ele comprou dois terrenos e 66,6% de um prédio residencial em Guaxupé (MG) por R$ 915 mil. Parte dessas transações teria sido feita à vista, incluindo pagamentos em dinheiro vivo.

De acordo com apurações da Polícia Federal, Paulo Sergio teria atuado como uma espécie de “agente duplo” dentro do Banco Central, fornecendo informações estratégicas e orientações ao Banco Master sobre processos administrativos e reuniões com dirigentes da autarquia reguladora.

Mensagens obtidas pelos investigadores indicam que o servidor revisava minutas de documentos e comunicações institucionais do banco destinadas ao Banco Central, atividade considerada incompatível com sua função de fiscalização dentro da própria instituição.

Na decisão que autorizou medidas contra os investigados, o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça destacou que os elementos reunidos apontam para uma consultoria informal prestada pelo servidor ao banqueiro. Segundo o magistrado, Paulo Sergio fornecia orientações estratégicas sobre como o Banco Master deveria se posicionar em processos administrativos e reuniões com autoridades do BC.

Além das orientações, a Polícia Federal também identificou indícios de vantagens indevidas recebidas pelo servidor. Entre elas estaria a oferta de benefícios pessoais, como um guia turístico durante uma viagem à Disney.

Paulo Sergio foi alvo de medidas cautelares determinadas pelo Supremo, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de manter contato com outros investigados da operação. Ele também não pode deixar o município onde reside.

Paralelamente à investigação criminal conduzida no STF, o Banco Central abriu uma sindicância patrimonial para verificar se o patrimônio acumulado pelo servidor é compatível com sua renda. O procedimento administrativo busca identificar possíveis indícios de enriquecimento ilícito.

Caso sejam confirmadas irregularidades, o caso poderá evoluir para um processo administrativo disciplinar e também para ações em outras instâncias de controle, incluindo o Ministério Público Federal, o Tribunal de Contas da União e a Controladoria-Geral da União.

A investigação sobre o Banco Master ganhou força após a prisão de Daniel Vorcaro e de seu cunhado Fabiano Zettel, determinada pelo ministro André Mendonça. Vorcaro já foi transferido para a Penitenciária Federal de Brasília, onde permanece detido em regime de segurança máxima.

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