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Decisão de Moraes sobre Zambelli ameaça votação de Ramagem

Decisão de Moraes sobre Zambelli ameaça votação de Ramagem

Aliados de Hugo Motta avaliam que ordem do STF obriga presidente da Casa a cancelar votação sobre Alexandre Ramagem, consolidando supremacia do Judiciário sobre o Legislativo

Por: Redação

12/12/2025 às 08:53

Imagem de Decisão de Moraes sobre Zambelli ameaça votação de Ramagem

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes que determinou a perda imediata do mandato da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) deve produzir efeitos diretos sobre outro parlamentar do Partido Liberal: o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ). Nos bastidores da Câmara, a avaliação é de que o despacho do ministro praticamente inviabiliza a votação da cassação de Ramagem prevista para os próximos dias.

Aliados do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), reconhecem que não há margem política ou institucional para descumprir a ordem de Moraes no caso de Zambelli. Diante disso, cresce a expectativa de que Motta cancele a sessão marcada para quarta-feira (17/12), quando o plenário decidiria se cassaria ou não o mandato de Ramagem.

O episódio reforça a percepção, entre parlamentares, de que o Legislativo vem sendo progressivamente esvaziado em suas prerrogativas constitucionais, com decisões judiciais se impondo sobre deliberações do plenário — inclusive quando estas seguem o rito regimental e expressam maioria política legítima.

Os casos de Carla Zambelli e Alexandre Ramagem guardam semelhanças relevantes. Ambos foram condenados pelo STF com trânsito em julgado, e a própria Corte declarou a perda de mandato dos parlamentares. Ainda assim, Hugo Motta havia optado por submeter os dois casos à votação do plenário, preservando, ao menos formalmente, o papel da Câmara dos Deputados.

No caso de Zambelli, no entanto, o plenário não atingiu os 257 votos necessários para a cassação. Mesmo assim, Moraes anulou a decisão da Casa e decretou a perda imediata do mandato, determinando que a Mesa Diretora apenas formalizasse o ato, sem margem para deliberação política.

A leitura que se faz agora é de que manter a votação de Ramagem se tornaria um gesto meramente simbólico, já que o STF deixou claro que considera a perda de mandato uma consequência automática da condenação criminal, cabendo à Câmara apenas “declarar” o fato.

Antes mesmo da decisão de Moraes sobre Zambelli, deputados governistas já admitiam, reservadamente, não dispor dos votos necessários para cassar Alexandre Ramagem. O cenário se repete: ausência de maioria absoluta e risco de nova derrota política no plenário.

A intervenção do STF, portanto, acaba funcionando como uma solução judicial para um impasse político que o governo não conseguiu resolver no voto. Para críticos, isso aprofunda o desequilíbrio entre os Poderes e transforma decisões judiciais em atalhos para contornar derrotas no Congresso.

Na decisão que anulou o resultado do plenário no caso Zambelli, Moraes sustentou que a Constituição atribui ao Judiciário a competência para decretar a perda do mandato de parlamentares condenados criminalmente com trânsito em julgado. Segundo o ministro, cabe à Mesa Diretora da Câmara “tão somente declarar a perda do mandato”, em um ato administrativo vinculado, sem espaço para juízo político.

A interpretação gera forte reação entre parlamentares, que veem na tese uma redução drástica do papel do Congresso e um precedente perigoso para a autonomia do Poder Legislativo.

Com isso, o caso Ramagem surge como mais um capítulo da escalada de tensões entre o STF e a Câmara, em um contexto no qual decisões judiciais vêm se sobrepondo, de forma crescente, à vontade expressa do plenário.

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