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Decisão italiana sobre Zambelli pode atingir extradição de Tagliaferro, aponta advogado
Decisão italiana sobre Zambelli pode atingir extradição de Tagliaferro, aponta advogado
Especialista avalia que fundamentos adotados pela Justiça da Itália podem influenciar futuras análises envolvendo processos relatados por Alexandre de Moraes
Por: Redação
15/06/2026 às 07:36

Foto: Reprodução
A decisão da Corte Suprema de Cassação da Itália que rejeitou a extradição da ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP) pode produzir efeitos em futuros pedidos de cooperação judicial envolvendo investigados brasileiros que respondem a processos sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A avaliação é do advogado Enio Viterbo, doutor em História pela Universidade de Lisboa e residente em Portugal.
Segundo Viterbo, um dos casos que podem ser impactados pelo entendimento adotado pelos magistrados italianos é o de Eduardo Tagliaferro, ex-assessor de Alexandre de Moraes. Atualmente morando na região da Calábria, na Itália, Tagliaferro responde a uma ação penal no STF após ser denunciado pela Procuradoria-Geral da República por suposto vazamento de informações sigilosas relacionadas ao gabinete do ministro.
O advogado argumenta que a decisão envolvendo Carla Zambelli estabeleceu parâmetros que poderão ser observados por tribunais italianos em futuras análises de pedidos de extradição. Na avaliação dele, a principal questão levantada pela Justiça italiana foi a discussão sobre imparcialidade processual em situações nas quais Alexandre de Moraes aparece simultaneamente como relator de processos relacionados a fatos que também o envolvem diretamente.
Ao comentar o caso de Zambelli, Viterbo destacou que a Corte italiana não analisou a culpa ou inocência da ex-deputada, mas concentrou sua análise nas garantias processuais observadas durante a tramitação da ação no Brasil. Segundo ele, os magistrados entenderam que havia dúvidas sobre a imparcialidade objetiva do julgamento, em razão da participação de Moraes em diferentes etapas do processo.
De acordo com o especialista, a decisão italiana apontou que o ministro exerceu funções consideradas incompatíveis com o princípio da imparcialidade exigido em sistemas democráticos. O entendimento foi um dos fundamentos utilizados para rejeitar o pedido de extradição apresentado pelas autoridades brasileiras.
Viterbo afirmou que eventual pedido de extradição envolvendo Eduardo Tagliaferro poderá enfrentar questionamentos semelhantes. Segundo ele, magistrados italianos poderão levar em consideração o precedente criado no caso Zambelli caso sejam chamados a analisar uma solicitação futura relacionada ao ex-assessor.
O advogado também observou que decisões recentes de tribunais europeus envolvendo pedidos de cooperação judicial do Brasil têm ampliado o debate internacional sobre garantias processuais e devido processo legal em ações conduzidas pelo STF. Para ele, o tema continuará sendo acompanhado por juristas e cortes estrangeiras nos próximos anos.
Tagliaferro foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República sob acusação de divulgar informações sigilosas relacionadas a investigações conduzidas no Supremo. A Primeira Turma do STF já rejeitou recursos apresentados por sua defesa, e o processo segue em tramitação na Corte.
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