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Delação de Vorcaro pode atingir políticos e poupar ministros do STF, dizem advogados
Delação de Vorcaro pode atingir políticos e poupar ministros do STF, dizem advogados
Estratégia inicial discutida pela defesa do dono do Banco Master buscaria acordo com a PGR e evitar confronto direto com a Corte
Por: Redação
16/03/2026 às 10:37

Foto: Divulgação
Advogados que acompanham as investigações do chamado caso Banco Master afirmam que a estratégia inicial de uma eventual delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro seria direcionar acusações contra políticos e evitar atingir ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo fontes ligadas à defesa, a avaliação é de que esse caminho poderia aumentar as chances de validação de um eventual acordo pela Procuradoria-Geral da República (PGR). A leitura entre interlocutores do banqueiro é de que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, dificilmente homologaria uma colaboração premiada que envolvesse diretamente integrantes da Suprema Corte.
Nos bastidores, o nome do ministro Alexandre de Moraes aparece como possível alvo potencial de delação devido a um contrato de R$ 129 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia da esposa do magistrado. A estratégia inicial da defesa, porém, seria evitar qualquer acusação direta contra o ministro.
Outro fator citado por fontes próximas ao caso envolve a atuação do novo advogado de Vorcaro, o criminalista José Luis Oliveira Lima, conhecido como “Juca”. Segundo interlocutores, o advogado manteria relações próximas com integrantes do STF, incluindo o ministro Dias Toffoli.
Toffoli também aparece nas investigações por conta de operações envolvendo o Banco Master e um fundo de investimentos com participação dele e de familiares. Mesmo assim, a defesa do banqueiro avalia que uma delação que atingisse ministros da Corte representaria alto risco jurídico e institucional.
Entre advogados e especialistas, há o entendimento de que acordos de colaboração que envolvam diretamente tribunais superiores são considerados extremamente sensíveis e podem trazer consequências relevantes para escritórios de advocacia envolvidos nas negociações.
Apesar da estratégia inicial de preservar o STF, investigadores da Polícia Federal avaliam que há material robusto envolvendo ao menos um ministro da Corte. Por isso, caso a PGR não aceite um acordo nos termos desejados pela defesa, uma alternativa discutida seria negociar diretamente uma colaboração premiada com a Polícia Federal.
Nos bastidores de Brasília, cresce a expectativa de que Vorcaro avance nas tratativas de delação após a troca recente de advogado. O criminalista José Luis Oliveira Lima deve se reunir com o banqueiro nos próximos dias para iniciar formalmente as discussões sobre um possível acordo.
Além de políticos, a delação pode abordar supostos crimes financeiros envolvendo o Banco Master. Entre os temas que podem entrar no acordo estão operações com carteiras de crédito consignado, especialmente o cartão CrediCesta, produto financeiro voltado principalmente a servidores públicos.
O cartão foi criado pelo empresário Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, e posteriormente expandido para diversos estados. Os dois romperam a parceria empresarial nos últimos anos.
A investigação sobre o Banco Master segue em andamento e envolve suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e influência indevida sobre autoridades públicas.
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