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Deputado pede convocação de Mauro Vieira após documento do Itamaraty sobre risco envolvendo os EUA

Deputado pede convocação de Mauro Vieira após documento do Itamaraty sobre risco envolvendo os EUA

Requerimentos apresentados na Câmara buscam esclarecimentos do chanceler sobre avaliação que menciona possibilidade de uso de força militar contra o Brasil

Por: Redação

07/07/2026 às 12:50

Imagem de Deputado pede convocação de Mauro Vieira após documento do Itamaraty sobre risco envolvendo os EUA

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, poderá ser convocado pela Câmara dos Deputados para prestar esclarecimentos sobre um documento do Itamaraty que menciona o risco de uma eventual ação militar dos Estados Unidos em território brasileiro após a classificação do Comando Vermelho (CV) e do PCC como organizações terroristas.

Os pedidos foram apresentados nesta terça-feira (7) pelo deputado federal Evair Vieira de Melo (PP-ES), autor do requerimento de informações que levou o Ministério das Relações Exteriores a elaborar a resposta encaminhada ao Parlamento.

Além de solicitar a convocação do chanceler ao plenário da Câmara, o parlamentar protocolou outro requerimento para que Mauro Vieira seja ouvido pela Comissão de Relações Exteriores, onde a proposta deverá ser analisada pelos deputados.

Na justificativa, Evair afirmou que o documento do Itamaraty não apresenta medidas concretas para enfrentar os possíveis impactos da decisão adotada pelos Estados Unidos.

"Causa preocupação que a resposta oficial do governo concentre grande parte de sua argumentação na defesa abstrata da soberania nacional, sem apresentar ao Parlamento qual é a estratégia efetivamente adotada para enfrentar os impactos concretos e juridicamente mais prováveis dessa medida", afirmou o deputado.

 

Documento cita possibilidade de ações extraterritoriais

Na resposta enviada à Câmara, Mauro Vieira afirmou que a classificação unilateral do Comando Vermelho e do PCC como organizações terroristas poderia servir de fundamento para medidas extraterritoriais adotadas pelos Estados Unidos.

O documento menciona possíveis reflexos nas áreas financeira, migratória e penal, além de citar o risco de eventual uso de força militar contra o território brasileiro.

"A referida classificação unilateral poderia ser invocada como justificativa para ações extraterritoriais sobre instituições brasileiras, em particular nos âmbitos financeiro, migratório e penal. Há, ademais, o risco de uso da força militar dos EUA contra o território nacional", registra o texto assinado pelo chanceler.

O ministro também informou que o governo brasileiro não recebeu comunicação oficial das autoridades norte-americanas sobre a classificação das facções e afirmou que a medida foi adotada de forma unilateral pelos Estados Unidos, razão pela qual, segundo o Itamaraty, não houve necessidade de manifestação formal do Brasil.

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