Diplomatas temem que falas de Lula prejudiquem encontro com Trump na Malásia
Presidente brasileiro criticou tarifas e defendeu posição pró-Venezuela dias antes da reunião bilateral com os EUA
Por: Redação
22/10/2025 às 08:17

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Declarações recentes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre Venezuela e os Estados Unidos provocaram apreensão entre integrantes do Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty). O temor é de que o tom adotado por Lula possa gerar tensões na reunião com o presidente Donald Trump, marcada para domingo (26) durante a cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), na Malásia.
Na terça-feira (21), Lula afirmou que “intervenções estrangeiras podem causar danos maiores do que o que se pretende evitar” ao comentar a situação venezuelana — um discurso alinhado ao regime chavista. Em outro momento, fez referência direta aos EUA: “Quando Trump ofendeu e sobretaxou o Brasil, a gente não abaixou a cabeça”.
Preocupação diplomática
Diplomatas ouvidos reservadamente avaliam que, embora o encontro seja estratégico para a retomada de laços comerciais, o discurso ideológico de Lula pode dificultar a aproximação com Washington. Auxiliares do governo trabalham para evitar constrangimentos e manter o foco nos temas econômicos — especialmente na redução de tarifas e na ampliação do comércio bilateral.
Os sinais de desconforto ocorrem em um momento em que a gestão de Trump busca reforçar alianças na América Latina para conter a influência de regimes autoritários, como os da Venezuela e de Cuba. Uma postura ambígua do governo brasileiro poderia gerar ruído político.
Encontro é considerado estratégico
Desde a reunião entre o chanceler Mauro Vieira e o chefe da diplomacia americana Marco Rubio, na última quinta-feira (16), Lula já se manifestou publicamente três vezes sobre a relação com os EUA.
O governo americano vê o encontro de domingo como oportunidade de ampliar cooperação econômica e de segurança. Já entre diplomatas brasileiros, há a percepção de que o Planalto precisa moderar o discurso sobre a Venezuela para não minar a aproximação com os EUA — considerados parceiros estratégicos.
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