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Durigan critica postura dos EUA sobre PCC e CV e diz que Brasil não deve agir em “vassalagem”
Durigan critica postura dos EUA sobre PCC e CV e diz que Brasil não deve agir em “vassalagem”
Ministro da Fazenda afirma que governo americano deveria ter comunicado decisão ao Brasil e alerta para possíveis impactos financeiros, incluindo efeitos sobre o Pix
Por: Redação
01/06/2026 às 16:44

Foto: José Cruz/Agência Brasil
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, criticou nesta segunda-feira (1º) a forma como o governo dos Estados Unidos conduziu a decisão de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. Segundo o ministro, não cabe ao Brasil adotar postura de “vassalagem” diante dos norte-americanos ou agir de forma subordinada nas negociações diplomáticas.
A declaração foi dada após o governo do presidente Donald Trump oficializar, na última quinta-feira (28), a inclusão das duas facções criminosas brasileiras na lista de organizações terroristas estrangeiras, medida que gerou reações críticas dentro do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Durante entrevista ao SBT News, Durigan afirmou que o governo dos Estados Unidos deveria ter comunicado formalmente o Brasil antes da decisão, mas disse não haver resistência do lado brasileiro ao diálogo diplomático.
“Eu não tenho nenhum problema em entrar em contato com eles e explicar o que pode ser feito, eu posso ligar a qualquer momento, mas não cabe ao Brasil estar em um lugar de vassalagem e ligar aos EUA a todo momento”, afirmou o ministro. “Essa medida foi designada quinta, passamos o tempo conversando, no meu tempo eu vou fazer o contato com eles”, acrescentou.
Apesar das críticas ao procedimento adotado pelos norte-americanos, Durigan afirmou que o governo brasileiro mantém disposição para dialogar e buscar entendimento institucional sobre possíveis efeitos da medida.
O ministro também alertou para potenciais impactos econômicos e financeiros caso a classificação das facções evolua para sanções direcionadas a instituições que eventualmente sejam consideradas expostas ao risco do crime organizado.
Segundo ele, uma escalada das medidas pode atingir serviços bancários e aumentar custos financeiros no país, inclusive afetando o Pix, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central e amplamente utilizado no Brasil.
“Se isso avançar, para virar sanção financeira direcionada a alguma instituição, essa instituição pode ficar impossibilitada de oferecer o Pix, esse é um segundo problema, além de aumentar custo, afeta algo que é símbolo da nossa soberania financeira”, declarou.
Durigan afirmou ainda que o governo busca evitar impactos diretos à população brasileira e disse que equipes técnicas e diplomáticas seguem atuando para proteger a economia nacional.
“Tudo que o Brasil pode fazer para explicar, nós temos feito. Vamos continuar conversando com eles do ponto de vista da diplomacia para proteger quem está no Brasil, proteger a economia do Brasil como um todo”, afirmou.
A decisão dos Estados Unidos faz parte da estratégia do governo Trump de ampliar ações internacionais contra grupos ligados ao narcotráfico e ao crime organizado transnacional, incluindo medidas de sanção financeira, cooperação internacional e monitoramento de operações suspeitas.
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