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Emendas parlamentares movimentam quase R$ 26 bilhões e concentram recursos na saúde

Emendas parlamentares movimentam quase R$ 26 bilhões e concentram recursos na saúde

Levantamento aponta R$ 13,7 bilhões já pagos e outros R$ 12 bilhões aguardando liberação; PL lidera volume de emendas entre partidos e área da saúde concentra maior fatia dos recursos

Por: Redação

01/06/2026 às 08:19

Imagem de Emendas parlamentares movimentam quase R$ 26 bilhões e concentram recursos na saúde

Foto: Pedro França/Agência Senado

A execução de emendas parlamentares voltou ao centro do debate político em meio ao calendário eleitoral de 2026. Levantamento divulgado com base em dados do Orçamento da União mostra que já foram pagos R$ 13,7 bilhões em emendas individuais de parlamentares, enquanto outros R$ 12 bilhões, apesar de liquidados — ou seja, já vinculados a obras e serviços executados — ainda aguardam pagamento, totalizando quase R$ 26 bilhões em recursos movimentados.

Os dados, compilados a partir de informações publicadas pela Gazeta do Povo, revelam forte concentração dos repasses na área da saúde, que segue como principal destino das emendas parlamentares em ano pré-eleitoral. O cenário reforça o peso político do orçamento impositivo no fortalecimento de bases regionais e no relacionamento entre Congresso e Executivo.

Entre os parlamentares com maior volume de recursos aprovados aparece o senador Renan Calheiros (MDB-AL), com R$ 209 milhões, seguido por Cid Gomes (PSB-CE), com R$ 171 milhões, e Eduardo Braga (MDB-AM), responsável por R$ 168 milhões. O deputado Fausto Júnior (União-AM) também figura entre os maiores beneficiados, com R$ 161 milhões em emendas individuais.

Na divisão por partidos, o PL lidera o ranking de recursos, com R$ 2,5 bilhões em emendas individuais aprovadas. Em seguida aparecem MDB, com R$ 1,6 bilhão, PSD, com R$ 1,47 bilhão, União Brasil, com R$ 1,3 bilhão, PP, com R$ 1,2 bilhão, e PT, que soma R$ 1,1 bilhão. Siglas menores, como Novo, Psol e Rede, também aparecem na distribuição, com R$ 71 milhões, R$ 60 milhões e R$ 44 milhões, respectivamente.

O levantamento também mostra a participação de lideranças do Congresso na destinação dos recursos. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), teve R$ 98 milhões aprovados, enquanto o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), registrou R$ 22 milhões. Já o senador Ciro Nogueira (PP-PI), líder da Minoria, aparece com R$ 87 milhões em emendas aprovadas.

Pré-candidato à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aprovou R$ 42,7 milhões em emendas, priorizando a saúde pública. Segundo os dados, R$ 12 milhões foram destinados ao município de Bom Jesus (RJ), R$ 8 milhões a Mesquita (RJ), enquanto outros R$ 21,7 milhões também foram direcionados para ações no setor de saúde.

O ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem (PL-RJ) aparece com R$ 45 milhões aprovados, quase integralmente destinados à saúde. Já o ex-deputado Eduardo Bolsonaro teve R$ 4,3 milhões em emendas registradas antes de perder o mandato no fim do ano passado.

Além das emendas individuais, as chamadas emendas coletivas das bancadas estaduais somam R$ 13,9 bilhões. Pará (R$ 1,27 bilhão), Piauí (R$ 1,14 bilhão), Amapá (R$ 1 bilhão) e Alagoas (R$ 958 milhões) aparecem entre os estados com maiores volumes. A Comissão de Assuntos Sociais do Congresso, por sua vez, concentrou R$ 1,37 bilhão em recursos.

Os números reforçam o peso crescente das emendas parlamentares no funcionamento da máquina pública e ampliam o debate sobre critérios de distribuição, transparência e influência política sobre o Orçamento em ano eleitoral.

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