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Empresários alertam para impacto de redução da jornada de trabalho no Brasil

Empresários alertam para impacto de redução da jornada de trabalho no Brasil

Representantes do setor produtivo defendem cautela com o fim da escala 6x1 e cobram estudos sobre produtividade, emprego e aumento de custos

Por: Redação

18/08/2026 às 15:04

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Foto: Divulgação

Empresários e especialistas defenderam cautela na discussão sobre a redução da jornada de trabalho no Brasil. O tema foi debatido nesta segunda-feira (17), em São Paulo, durante o evento Conecta TMC, em um painel que reuniu representantes dos setores de varejo, alimentação e shopping centers, além da economista Zeina Latif.

A discussão ocorre após a Câmara dos Deputados aprovar, em dois turnos, uma proposta que reduz gradualmente a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial. O texto também prevê dois dias de descanso remunerado por semana e agora será analisado pelo Senado.

 

Produtividade é principal preocupação

Durante o debate, Zeina Latif afirmou que o Brasil ainda apresenta níveis de produtividade inferiores aos de países que já reduziram suas jornadas de trabalho. Para a economista, uma mudança generalizada exige atenção às diferenças entre os setores da economia.

Ela também alertou para o envelhecimento da população brasileira e para a possibilidade de falta de mão de obra nos próximos anos. Segundo a economista, o país já enfrenta dificuldades para preencher determinadas vagas.

O conselheiro da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), Vander Giordano, acrescentou que o tempo de deslocamento entre casa e trabalho também deveria ser considerado na discussão. Para ele, é necessário avaliar se parte do desgaste enfrentado pelos trabalhadores está relacionada à jornada ou ao deslocamento diário.

 

Empresas pedem período de adaptação

Representantes do setor produtivo defenderam que uma eventual mudança seja acompanhada por um período de transição. A avaliação é que empresas precisarão reorganizar escalas, capacitar funcionários e, em alguns segmentos, ampliar equipes para manter o funcionamento.

A preocupação é maior em atividades que operam de forma contínua, como comércio, restaurantes, supermercados e shopping centers.

Giordano também questionou o impacto da medida sobre os preços. Segundo ele, ainda faltam estudos que indiquem quanto a redução da jornada poderá representar em custos para as empresas e, consequentemente, para os consumidores.

 

Risco de aumento da informalidade

Outro ponto discutido foi a rigidez das regras trabalhistas. Felipe Magrim, diretor de políticas públicas do iFood, defendeu maior flexibilidade nas relações de trabalho e afirmou que regras excessivamente rígidas podem estimular a informalidade.

Segundo ele, ao mesmo tempo em que é necessário garantir proteção previdenciária aos trabalhadores, a legislação também precisa considerar diferentes formas de contratação e organização do trabalho.

A proposta aprovada pela Câmara prevê uma redução inicial da jornada para 42 horas semanais, seguida pela redução para 40 horas. O texto estabelece ainda regras específicas para determinadas categorias e um período de adaptação antes da aplicação integral da nova jornada.

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