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Dino levanta sigilo de operação que apreendeu material de fonte de jornalista

Dino levanta sigilo de operação que apreendeu material de fonte de jornalista

Decisão do ministro ocorre após críticas sobre possível violação do sigilo de fonte e detalha investigação que envolve autoridades e suspeitas de obstrução da Justiça

Por: Redação

14/08/2026 às 16:13

Imagem de Dino levanta sigilo de operação que apreendeu material de fonte de jornalista

Foto: Victor Piemonte/STF

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta sexta-feira (14) levantar o sigilo de documentos relacionados à operação que apreendeu materiais da fonte de um jornalista no Maranhão. A medida revela novos detalhes sobre a investigação que levou a Polícia Federal a avançar sobre o ex-policial federal Raimundo Cutrim, apontado como fonte do jornalista Luís Pablo.

A decisão ocorre em meio a questionamentos de entidades ligadas à liberdade de expressão sobre a preservação do sigilo de fonte, garantia prevista no artigo 5º, inciso XIV, da Constituição. O caso ganhou repercussão depois que Alexandre de Moraes autorizou a operação.

 

Investigação envolve suspeitas de corrupção no Maranhão

Segundo informações reunidas pela Polícia Federal, o caso está relacionado à morte do empresário João Bosco, ocorrida em São Luís em 2022. A investigação aponta que o homicídio poderia ter relação com disputas envolvendo vantagens indevidas, esquemas de corrupção e liberação de pagamentos públicos no Maranhão.

Relatórios da PF e documentos encaminhados ao STF também mencionam suspeitas de tentativa de proteção de autoridades e políticos de alto escalão. Entre os nomes citados aparece o senador Weverton Rocha (PDT-MA), que teria atuado para dificultar o avanço de investigações no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Raimundo Cutrim é apontado nos autos como possível intermediário para tentar alterar depoimentos de testemunhas e investigados. Segundo os documentos, ele teria oferecido dinheiro para que pessoas permanecessem em silêncio ou modificassem versões apresentadas às autoridades.

A investigação também cita suspeitas de fraudes em licitações, desvios envolvendo contratos públicos e uso de emendas parlamentares em benefício de um grupo ligado ao governador do Maranhão, Carlos Brandão. Em uma das apurações mencionadas, os valores ultrapassariam R$ 14 milhões.

Dino defendeu a competência do STF para conduzir o caso em razão da presença de autoridades com foro por prerrogativa de função. O ministro também afirmou que as medidas cautelares seriam necessárias para preservar a ordem pública, garantir a instrução criminal e interromper possíveis ações de obstrução da Justiça.

 

Operação atingiu fonte de jornalista

A operação ganhou repercussão nacional em março, quando materiais do jornalista Luís Pablo foram apreendidos para que a PF investigasse possíveis conexões relacionadas a reportagens sobre o uso de veículos do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) por Dino e familiares. O ministro afirmou que os veículos eram particulares e alegou ser alvo de perseguição.

Luís Pablo havia publicado uma reportagem questionando o uso de um veículo do TJMA, custeado pelo Fundo Especial de Segurança dos Magistrados (FUNSEG-JE), que seria utilizado, segundo a publicação, para fins pessoais e familiares. A assessoria de Dino negou que o ministro utilizasse carros oficiais e afirmou que os veículos particulares haviam sido monitorados.

O jornalista foi enquadrado por stalking e incluído no inquérito das fake news. A operação provocou reação de entidades jornalísticas, que criticaram a apreensão de materiais relacionados à atividade profissional e levantaram questionamentos sobre as garantias constitucionais de proteção à fonte.

Com o levantamento do sigilo, o conteúdo da investigação passa a oferecer mais elementos sobre os fundamentos utilizados para a operação. O STF ainda deverá analisar o caso de forma colegiada, com potencial para estabelecer um entendimento que poderá orientar decisões semelhantes no futuro.

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