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Estadão recorre a captação de R$ 142,5 milhões e contrata gestora investigada pela PF
Estadão recorre a captação de R$ 142,5 milhões e contrata gestora investigada pela PF
Operação buscou equilibrar contas do jornal, que acumula prejuízos; Trustee DTVM atua como agente fiduciário mesmo sob investigação
Por: Redação
17/04/2026 às 07:47

Foto: Divulgação
O jornal O Estado de S. Paulo utilizou a gestora Trustee DTVM em parte da operação que levantou R$ 142,5 milhões no mercado financeiro para reforçar seu caixa, diante de prejuízos acumulados que chegam a R$ 159 milhões.
A Trustee, responsável por atuar como agente fiduciário em uma das emissões de debêntures, é controlada pelo empresário Maurício Quadrado, que mantém sociedade com Daniel Vorcaro no Banco Master e em outros negócios. O empresário é alvo de investigações da Polícia Federal (PF) por suspeitas que envolvem lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e corrupção.
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Na época da contratação pela empresa jornalística, em março de 2024, Quadrado já havia sofrido bloqueio de bens em apurações relacionadas ao suposto pagamento de propina a funcionários da Caixa Econômica Federal. Atualmente, tanto ele quanto a gestora são investigados em desdobramentos que incluem suspeitas de movimentação de recursos ilícitos e ligação com esquemas envolvendo o crime organizado.
A operação financeira do jornal foi estruturada em duas etapas: uma emissão inicial de R$ 45 milhões, com participação da Trustee como agente fiduciário, e uma segunda emissão de R$ 97,5 milhões, realizada fora do mercado regulado.
No modelo adotado, o agente fiduciário tem a função de representar os interesses dos investidores, fiscalizando o cumprimento das obrigações da empresa emissora, incluindo pagamento de juros, amortizações e uso adequado dos recursos captados.
Parte relevante dos recursos veio de investidores privados. A empresa Santalice Administração Ltda., ligada ao grupo Cutrale, aportou R$ 15 milhões. Já o fundo Província, gerido pela Galápagos Capital, investiu R$ 82,5 milhões na operação.
Como consequência da entrada de capital, investidores passaram a ocupar assentos no Conselho de Administração do jornal. O executivo Marco Bologna, ligado à Galápagos, assumiu uma cadeira no colegiado com mandato até 2026. Além disso, houve exigência de mudança na gestão executiva, com substituição do CEO por um nome de mercado.
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Apesar da capitalização, o último balanço divulgado pela empresa apontou novo prejuízo de R$ 16,8 milhões em 2025, indicando continuidade das dificuldades financeiras.
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Em nota, o CEO do jornal, Erick Bretas, afirmou que o papel da Trustee na operação foi limitado a funções burocráticas típicas de agente fiduciário. Segundo ele, “o serviço é dos mais simples do mercado de capitais” e não se confunde com as atividades sob investigação.
O executivo também destacou que a gestora presta serviços semelhantes para diversas empresas e afirmou que o jornal segue adotando práticas consideradas regulares no mercado.
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