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Ex-dirigentes do INSS citam ex-ministro Carlos Lupi em delação sobre esquema de descontos ilegais
Ex-dirigentes do INSS citam ex-ministro Carlos Lupi em delação sobre esquema de descontos ilegais
Por: Redação
27/02/2026 às 11:24

Foto: Joédson Alves / Agência Brasil
Novos capítulos surgem na investigação da chamada Operação Sem Desconto, que apura um esquema de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Dois ex-dirigentes da autarquia, André Fidelis e Virgílio de Oliveira Filho, mencionaram o ex-ministro da Previdência Carlos Lupi (PDT) em seus acordos de delação premiada envolvendo o caso, conforme reportado nesta sexta-feira (27) pela coluna de Andreza Matais, do Metrópoles.
Conforme a apuração, um dos anexos das delações aborda a atuação de Lupi durante seu período à frente do Ministério da Previdência no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Lupi assumiu a pasta em janeiro de 2023, junto à posse do atual governo, e foi exonerado em maio de 2025 — pouco depois da Polícia Federal desencadear a primeira fase da operação que resultou na prisão de integrantes da cúpula do INSS.
De acordo com relatos dos delatores, Lupi teria atuado para proteger investigados ligados ao esquema de descontos, postura que chegou a gerar desgaste político ao governo federal na época dos fatos. Enquanto estava no cargo, o ex-ministro chegou a defender publicamente o então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto — que, segundo as investigações, teria recebido pagamentos mensais de cerca de R$ 250 mil do esquema entre junho de 2023 e setembro de 2024.
Além de Stefanutto, outro nome ligado à gestão previdenciária na época foi Adroaldo Portal, indicado por Lupi para ocupar uma posição de destaque no ministério. Portal, jornalista de formação e ex-assessor da bancada do PDT na Câmara dos Deputados, chegou a ser secretário-executivo da pasta e, em 2025, foi alvo de ação da Polícia Federal com prisão domiciliar decretada no bojo da Sem Desconto.
As delações também citam uma proximidade de Lupi com a advogada Tônia Galleti, ex-coordenadora jurídica do Sindicato Nacional dos Aposentados e Pensionistas (Sindnapi), cujos familiares teriam recebido milhões de reais por meio de acordos relacionados aos descontos.
Segundo o material apurado, o ex-ministro foi alertado por diversas vezes sobre o crescimento dos descontos indevidos, que passaram de cerca de R$ 80,6 milhões para R$ 248,1 milhões em aproximadamente um ano. Ainda assim, segundo os relatos, as medidas para conter a irregularidade teriam sido tardias.
Além de Lupi, os ex-dirigentes do INSS citaram também Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”, filho mais velho do presidente Lula, nas delações. A possível participação de Lulinha no esquema levou à autorização de quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico pelo ministro André Mendonça no Supremo Tribunal Federal (STF), em janeiro.
A inclusão de Lulinha nos desdobramentos das apurações gerou forte tensão política, com confrontos entre parlamentares da CPMI do INSS no Congresso Nacional durante sessão em que foi aprovada a quebra de sigilo do empresário.
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