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Ex-ministro de Dilma tentou incluir Banco Master no Minha Casa, Minha Vida sem vínculo com a Caixa
Ex-ministro de Dilma tentou incluir Banco Master no Minha Casa, Minha Vida sem vínculo com a Caixa
Proposta levada ao governo Lula previa atuação paralela de bancos privados no programa habitacional e repasse direto de recursos da União
Por: Redação
29/01/2026 às 08:42

Foto: Facebook / Dilma Rousseff
O ex-ministro do Esporte no governo Dilma Rousseff, Ricardo Leyser Gonçalves, atuou para tentar incluir o Banco Master no programa Minha Casa, Minha Vida, em um modelo que dispensaria qualquer tipo de subordinação administrativa ou financeira à Caixa Econômica Federal. A iniciativa foi apresentada ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e formalizada em ofício encaminhado, em março de 2024, ao ministro das Cidades, Jader Barbalho Filho.
No documento de 16 páginas, Leyser afirma que, na condição de diretor da VBG Engenharia e Empreendimentos, a empresa desenvolveu instrumentos operacionais voltados ao Minha Casa, Minha Vida “em conjunto com o Banco Master, o Banco Digimais e o Banco Genial”. Segundo o ex-ministro, a proposta foi debatida em 23 Estados, em encontros que reuniram mais de 1,2 mil gestores municipais.
O objetivo da proposta era permitir que instituições financeiras privadas participassem diretamente da construção de moradias em municípios com até 80 mil habitantes. Pelo modelo defendido por Leyser, bancos como o Master receberiam recursos da União e seriam responsáveis por contratar construtoras privadas para a execução das obras, assumindo integralmente os riscos dos contratos.
Ao justificar a iniciativa, Leyser sustentou que a chamada Modalidade Oferta Pública traria maior agilidade à execução do programa habitacional, justamente por envolver instituições privadas. Segundo ele, essas instituições seriam “mais enxutas”, com maior flexibilidade operacional para atuar em pequenos municípios, que concentram grande parte do déficit habitacional.
O ex-ministro também criticou a possibilidade de subordinação dos bancos privados à Caixa, afirmando que qualquer dependência administrativa ou financeira inviabilizaria a participação dessas instituições. Para ele, a legislação que recriou o Minha Casa, Minha Vida — a Lei nº 14.620, de julho de 2023 — não prevê esse tipo de vinculação.
No ofício, Leyser defendeu que os bancos privados atuassem de forma paralela, e não concorrencial, à Caixa Econômica Federal. Segundo o texto, as instituições privadas desempenhariam o mesmo papel operacional da Caixa dentro do programa, sem necessidade de mediação por parte do banco público, inclusive na análise de medições e liberação de recursos às construtoras.
Ao apresentar a proposta, o ex-ministro afirmou que os bancos envolvidos eram “economicamente saudáveis”, com capital compatível com padrões internacionais, e que responderiam diretamente ao governo federal pelos recursos recebidos. Ele também destacou que os riscos da contratação das construtoras seriam assumidos integralmente pelas instituições financeiras privadas.
Fontes do governo ouvidas pela coluna relataram que Leyser pressionou para a realização das reuniões e tentou acelerar a tramitação da proposta dentro do Ministério das Cidades. Apesar disso, a iniciativa não avançou, principalmente por falta de regulamentação e resistência técnica.
Em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, em meio a investigações que apontaram fraudes estimadas em R$ 12,7 bilhões, o que encerrou qualquer possibilidade de avanço do modelo defendido pelo ex-ministro.
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