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Filho de secretário afastado da Previdência atua em gabinete de senador alvo da PF
Filho de secretário afastado da Previdência atua em gabinete de senador alvo da PF
Mesmo fora da lista de investigados, Eduardo Portal ocupa cargo comissionado no Senado enquanto Operação Sem Desconto avança sobre esquema bilionário no INSS
Por: Redação
18/12/2025 às 13:15

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Embora não figure formalmente como alvo da nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (18), Eduardo Portal, filho de Adroaldo Portal — até então secretário-executivo do Ministério da Previdência —, atua no gabinete do senador Weverton Rocha (PDT-MA), parlamentar que foi alvo de mandado de busca e apreensão autorizado pelo Supremo Tribunal Federal.
A operação investiga um esquema bilionário de descontos ilegais aplicados diretamente em aposentadorias e pensões do INSS, prática que atingiu milhares de beneficiários, em especial idosos, e que veio à tona após uma série de reportagens do Metrópoles.
De acordo com dados disponíveis no Portal da Transparência, Eduardo Portal ocupa desde 2023 um cargo comissionado no Senado Federal, com a função de ajudante parlamentar intermediário, recebendo salário bruto de aproximadamente R$ 3,9 mil. A nomeação ocorreu durante o período em que seu pai exercia o posto de número dois da Previdência Social.
A presença do filho de um alto dirigente da Previdência em um gabinete parlamentar agora alcançado pelas investigações reforça questionamentos sobre redes de influência política que orbitam o escândalo do INSS. Embora não haja, até o momento, imputação criminal contra Eduardo Portal, o vínculo familiar e funcional chama atenção no contexto das apurações em curso.
Na mesma fase da operação, Adroaldo Portal foi diretamente atingido pelas medidas da Polícia Federal. Ele foi exonerado do cargo de secretário-executivo do Ministério da Previdência e passou a cumprir prisão domiciliar, após decisão judicial.
O ministro da Previdência, Wolney Queiroz, determinou a exoneração assim que tomou conhecimento das acusações reveladas pela PF. Para ocupar a vaga, foi designado o procurador federal Felipe Cavalcante e Silva, que atuava como consultor jurídico da pasta.
Em nota oficial, o Ministério da Previdência Social e o INSS afirmaram que continuarão colaborando com as investigações, mas destacaram que o esquema de descontos ilegais “teve origem no governo anterior” e teria sido interrompido na atual gestão — argumento que, para críticos, tenta deslocar responsabilidades políticas diante da dimensão do escândalo.
Enquanto as investigações avançam, o caso expõe mais um capítulo da fragilidade nos controles do Estado e da promiscuidade entre estruturas administrativas e interesses políticos, em um dos maiores escândalos recentes envolvendo recursos de aposentados no país.
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