A Europa Filmes decidiu adiar para depois das eleições de 2026 o lançamento de “Dark Horse”, cinebiografia inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O longa poderia chegar aos cinemas em setembro, antes do primeiro turno, mas a distribuidora optou por retirar a estreia do calendário eleitoral.
Segundo Wilson Feitosa, diretor-geral da Europa Filmes, a decisão foi comercial e levou em consideração uma experiência anterior da distribuidora com o lançamento de “Lula, o Filho do Brasil”, exibido em 2010, também durante um período eleitoral. Ele afirmou que não considera estratégico lançar “Dark Horse” antes da votação e que a intenção é estruturar a distribuição de forma adequada.
Feitosa também negou qualquer participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ou de aliados do parlamentar na definição da estratégia comercial. Segundo o executivo, a Europa Filmes não mantém contato com Flávio ou integrantes de seu grupo político e atua exclusivamente na distribuição do longa.
O adiamento ocorre enquanto a produção do filme é alvo de questionamentos relacionados ao seu financiamento. Nesta semana, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal a acessar provas reunidas pela Polícia Civil de São Paulo em uma investigação envolvendo a Go Up Entertainment, produtora de “Dark Horse”.
O material poderá ser utilizado em uma apuração sobre a destinação de emendas parlamentares e outros recursos relacionados à produção.
Filme ainda depende de registro
Além das questões envolvendo a investigação, “Dark Horse” ainda passa por etapas burocráticas para ser exibido comercialmente no Brasil.
O longa já possui o Registro de Obra Estrangeira (ROE) na Agência Nacional do Cinema (Ancine), mas ainda não conta com o Certificado de Registro de Título (CRT). Feitosa afirmou que o documento será solicitado após a conclusão da estratégia de lançamento e negou que a ausência do certificado represente um atraso na estreia.
A produtora apresentou ainda uma perícia privada sobre os custos da obra. O levantamento estimou os gastos do filme em aproximadamente R$ 75,2 milhões e afirmou não ter identificado recursos públicos provenientes de outros contratos, emendas ou da Lei Rouanet.
O próprio documento, entretanto, foi elaborado com base em materiais fornecidos pela empresa e não teve acesso aos dados do fundo utilizado para financiar o longa.
Com a mudança, a estreia de “Dark Horse” ficará para depois das eleições de 2026, embora a Europa Filmes ainda não tenha divulgado uma nova data para a chegada do filme aos cinemas.