Flávio Bolsonaro: "Lula está se lixando para as empresas brasileiras"
Senador atribui ao presidente a escalada da tensão comercial com os Estados Unidos, critica a condução das negociações e nega que Jair Bolsonaro tenha responsabilidade pelas novas tarifas
Por: Redação
24/07/2026 às 07:51

Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmou nesta quinta-feira (23) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não demonstra preocupação com os impactos das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
Durante uma transmissão ao vivo, Flávio comentou a decisão do governo norte-americano de aplicar uma tarifa adicional de 12,5% sobre mercadorias brasileiras que já eram tributadas em 25%, elevando a cobrança total para até 37,5%.
Ao criticar a atuação do Palácio do Planalto, o senador declarou que o presidente estaria mais preocupado com questões políticas do que com os efeitos econômicos da medida.
"O Lula está se lixando para as empresas brasileiras, para os produtos brasileiros. Está pensando sempre em poder, gente", afirmou.
Na avaliação de Flávio Bolsonaro, o desgaste na relação entre Brasil e Estados Unidos foi provocado pela postura adotada pelo governo federal ao longo do mandato de Lula.
"O Lula ofendeu mais de 60 vezes o governo americano durante o seu mandato. Ele cavou o pênalti. Ele queria, queria essa tarifação toda hora", disse.
O parlamentar também rejeitou a narrativa apresentada por integrantes do governo de que Jair Bolsonaro teria responsabilidade pelas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos.
"Ele fica com essa narrativa de que está defendendo a soberania e que o Bolsonaro é que é o responsável pela tarifa. Mentira", declarou.
Na sequência, Flávio questionou a estratégia de negociação conduzida pelo governo brasileiro com a administração norte-americana.
"Esse é o cara que estava negociando com os Estados Unidos? Ou estava cavando, pedindo a tarifa?", afirmou.
Relação com o tarifaço
Em maio, Flávio Bolsonaro foi recebido pelo presidente Donald Trump na Casa Branca, onde discutiu temas relacionados ao Brasil, incluindo o cenário político. Dias depois, os Estados Unidos divulgaram a conclusão da investigação comercial que recomendou a aplicação das tarifas.
Integrantes do governo Lula passaram a relacionar a reunião com a decisão norte-americana, embora não exista comprovação pública de que o encontro tenha influenciado a medida.
O senador, por sua vez, afirma ter atuado para evitar a taxação. Em junho, disse que pediu diretamente a Trump que os produtos brasileiros não fossem sobretaxados.
Posteriormente, encaminhou um documento ao governo dos Estados Unidos defendendo o adiamento da entrada em vigor das tarifas para depois das eleições brasileiras, sob o argumento de que a implementação antes do pleito poderia ser interpretada como interferência no processo eleitoral. Após isso, participou de audiência com autoridades norte-americanas e defendeu uma solução negociada para o impasse.
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