“Fui usado”: coronel nega plano ilegal e alega ter agido dentro da lei
Ex-assessor militar afirma que utilizou apenas dados públicos e objetivos legítimos de aproximação entre Bolsonaro e ministro do STF
Por: Redação
24/07/2025 às 22:56

Foto: Reprodução
Em seu interrogatório ao Supremo Tribunal Federal (STF), realizado nesta quinta-feira (24), o coronel do Exército Marcelo Costa Câmara, ex-assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), negou ter realizado qualquer tipo de monitoramento ilegal do ministro Alexandre de Moraes.
O militar, que responde no STF como réu do chamado núcleo 2 da suposta trama golpista, afirmou que os dados que levantou sobre os deslocamentos do magistrado eram exclusivamente públicos e que seu propósito era aproximar Bolsonaro de Moraes, e não qualquer finalidade ilícita.
“Eu passava dados, ajuste de agenda para uma aproximação com o ministro. Se alguma coisa que passei para o Mauro Cid e ele usou para outro fim, a não ser o que eu esperava, eu me sinto até usado nisso aí”, declarou Câmara, referindo-se ao ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, que também é investigado no processo.
O coronel afirmou ainda confiar na legalidade do trabalho que realizou e que pautava suas ações dentro da lei, sem intenções escusas.
Defesa tem direito a acompanhar interrogatório na Papuda
Na véspera, o ministro Alexandre de Moraes autorizou o advogado de Marcelo Câmara a acompanhar o interrogatório do militar, marcado para acontecer no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. O pedido segue a linha de garantir a ampla defesa e o contraditório, direitos fundamentais em processos judiciais.
Marcelo Câmara foi preso preventivamente no dia 18 de junho por ordem de Moraes, acusado de obstrução de Justiça. Ele já havia sido preso em janeiro de 2024, mas liberado em maio com medidas restritivas.
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