O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve concentrar esforços nesta semana em duas agendas consideradas prioritárias pelo Palácio do Planalto: o avanço do debate sobre o fim da escala 6x1 no Congresso Nacional e o lançamento de um novo programa de combate ao crime organizado em parceria com os Estados Unidos.
A discussão sobre a redução da jornada de trabalho ganhou força dentro da Câmara dos Deputados e passou a ser tratada como uma das principais pautas do semestre pelo governo e pelo presidente da Casa, Hugo Motta.
Nesta terça-feira (12), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, participa de comissão especial da Câmara para defender estudos do governo sobre os impactos econômicos do fim da escala 6x1.
Segundo integrantes do Planalto, o objetivo será sustentar que a economia brasileira teria capacidade de absorver a redução da jornada sem provocar grandes prejuízos ao mercado de trabalho.
Já na quarta-feira (13), será a vez do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, participar do debate na comissão.
Na semana passada, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, reforçou a posição favorável do governo ao fim da escala atual, classificando o modelo como “excessivamente desgastante”, especialmente para mulheres e jovens.
“É um pedido de socorro dos trabalhadores e trabalhadoras”, afirmou o ministro.
Dados do Ministério do Trabalho apontam que a mudança poderia elevar os custos da folha salarial em média 4,7%, chegando a 5,9% em pequenas e microempresas. Os setores mais impactados seriam transporte e alimentação.
Mesmo diante da resistência de entidades empresariais e representantes do setor produtivo, o governo decidiu intensificar a mobilização política em torno da proposta.
Paralelamente, Lula também deve lançar nesta terça-feira o programa “Brasil Contra o Crime Organizado”, com previsão de mais de R$ 11 bilhões em investimentos e financiamentos para estados e municípios.
O pacote será dividido em quatro eixos principais: combate financeiro às facções criminosas, fortalecimento do sistema prisional, esclarecimento de homicídios e combate ao tráfico de armas.
Segundo Lula, o tema foi discutido durante reunião recente com o presidente americano Donald Trump, na Casa Branca. O petista afirmou que Brasil e Estados Unidos já atuam conjuntamente no combate ao tráfico internacional de drogas e armas.
Apesar do discurso de endurecimento contra o crime organizado, o novo pacote de segurança deve enfrentar resistência da oposição, que acusa o governo de manter posições contraditórias em temas ligados à segurança pública.