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PF aponta recompra de ativos ligada aos Vorcaro e suspeita de repasses a empresa da família de Ciro Nogueira
PF aponta recompra de ativos ligada aos Vorcaro e suspeita de repasses a empresa da família de Ciro Nogueira
Investigação sustenta que operação teria dado liquidez à Green Investimentos durante período de pagamentos mensais atribuídos ao grupo Master
Por: Redação
12/05/2026 às 08:18

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasi
A Polícia Federal investiga uma operação financeira envolvendo empresas ligadas à família do banqueiro Daniel Vorcaro e a CNLF Empreendimentos Imobiliários, apontada pelos investigadores como peça central no suposto esquema de vantagens indevidas atribuídas ao senador Ciro Nogueira.
Segundo a investigação, um fundo de investimentos ligado à família Vorcaro recomprou praticamente todo o patrimônio da Green Investimentos SA, companhia da qual a CNLF havia se tornado sócia meses antes.
A operação teria ocorrido em um período no qual, segundo decisão do ministro André Mendonça, Ciro Nogueira teria recebido pagamentos mensais de R$ 300 mil oriundos de empresas ligadas ao grupo Master.
Os pagamentos foram admitidos pelo então advogado do senador, Antônio Carlos de Almeida Castro, durante entrevista concedida ao programa Acorda Metrópoles.
Na representação que embasou a operação da PF contra Ciro, os investigadores sustentam que os valores seriam relacionados aos dividendos da Trinity Energias Renováveis.
Segundo a apuração, a Trinity distribuiu R$ 12 milhões em lucros referentes ao exercício de 2023. Desse total, R$ 2,4 milhões caberiam à Green Investimentos SA, detentora de 20% da companhia.
A PF afirma que a CNLF havia adquirido, em abril de 2024, 30% da Green Investimentos por R$ 1 milhão, apesar de a participação ser estimada em cerca de R$ 13 milhões.
Para os investigadores, a diferença representaria uma vantagem econômica indevida concedida ao grupo ligado ao senador.
De acordo com mensagens interceptadas pela PF, Daniel Vorcaro teria orientado o primo Felipe Vorcaro para que a estrutura societária permitisse a distribuição de dividendos “sem que a operação ingressasse no radar de eventuais mecanismos de fiscalização”.
Entretanto, segundo a investigação, a Trinity não distribuiu lucros em 2024 nem em 2025, registrando prejuízos no período.
Em fevereiro de 2025, o mesmo fundo que havia vendido parte da Green Investimentos para a CNLF aprovou a recompra da totalidade das ações da Trinity pertencentes à Green.
O balanço da Trinity apontava que os ativos valiam aproximadamente R$ 5,5 milhões ao final de 2024.
Segundo os investigadores, embora o valor final da transação não tenha sido divulgado, a operação teria transferido recursos para o caixa da Green Investimentos, permitindo dar liquidez à empresa e possibilitando eventual distribuição de dividendos aos sócios, incluindo a empresa ligada à família de Ciro Nogueira.
Outra empresa citada pela PF é a BRGD SA, apontada nas investigações como parte da estrutura financeira relacionada aos pagamentos mensais de R$ 300 mil.
Em mensagens atribuídas a Felipe Vorcaro, o empresário pergunta ao primo Daniel se deveria “seguir com o pagamento dos 300k para o pessoal que investiu na BRGD” e, posteriormente, reforça: “É para continuar pagando a parceria BRGD/CNLF 300k mês?”.
A BRGD integra o mesmo grupo econômico da ForGreen, embora a companhia negue envolvimento no esquema investigado.
Segundo a investigação, o fundo Brazil Clean Energy I FIP em Infraestrutura, que controlava integralmente a BRGD, foi liquidado compulsoriamente no fim de 2024 após renúncia da administradora do fundo.
Documentos analisados pela PF também apontam dificuldades para localizar fisicamente a sede da BRGD em Minas Gerais. Em diligência realizada em fevereiro de 2024, funcionários do edifício informado como sede da empresa disseram desconhecer a companhia.
Na decisão da semana passada, André Mendonça determinou a suspensão das atividades da CNLF, da BRGD, da Green Investimentos e do fundo Green Energia FIP.
O novo advogado de Ciro Nogueira, Conrado Gontijo, afirmou que ainda está analisando os detalhes do caso e não comentou as informações da investigação.
Já a ForGreen declarou que não possui relação com as empresas investigadas e afirmou que seus executivos não tinham responsabilidade sobre a área financeira das companhias citadas.
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