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Governo Lula quer retaliar Trump e big techs após veto dos EUA a Moraes

Governo Lula quer retaliar Trump e big techs após veto dos EUA a Moraes

Ministros do Planalto propõem restrição de vistos a autoridades ligadas ao presidente dos EUA e a executivos de empresas de tecnologia como retaliação à suspensão de vistos de Moraes e aliados

Por: Redação

19/07/2025 às 08:15

Imagem de Governo Lula quer retaliar Trump e big techs após veto dos EUA a Moraes

Foto: Isac Nóbrega/Agência Brasil

Após a decisão do governo dos Estados Unidos de suspender o visto do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e de seus familiares, o governo brasileiro avalia uma reação diplomática controversa. Ministros do Palácio do Planalto querem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) determine a restrição de vistos para autoridades ligadas ao presidente Donald Trump e também para executivos de big techs.

A proposta seria uma resposta de “reciprocidade” à medida anunciada nesta sexta-feira (18), que marcou o endurecimento da postura norte-americana diante das ações do STF brasileiro, especialmente contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e aliados.

 

Escalada diplomática

De acordo com fontes próximas ao Planalto, a medida ainda será discutida com Lula, mas já encontra respaldo entre ministros ligados à ala ideológica do governo petista, que enxergam na revogação dos vistos uma afronta à “soberania nacional” e uma tentativa de intimidar os magistrados brasileiros.

A ideia inicial seria restringir a entrada no Brasil de integrantes do entorno de Trump, incluindo membros do atual governo norte-americano e figuras políticas alinhadas ao Partido Republicano, além de executivos de empresas de tecnologia como Meta, Google e X (ex-Twitter), considerados por setores da esquerda brasileira como cúmplices da disseminação de “desinformação”.

 

Contexto de tensão

A suspensão dos vistos de Moraes e de outros ministros do STF ocorre em meio a críticas do governo norte-americano à atuação da Corte brasileira, que vem sendo acusada por congressistas republicanos de promover perseguição política contra adversários do governo Lula.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, chegou a acusar Moraes de liderar uma “caça às bruxas” contra Bolsonaro e afirmou que o STF brasileiro atua de forma a extrapolar os limites do Estado de Direito.

 

Big techs na mira

O plano do governo Lula inclui também retaliações às big techs, que enfrentam crescente pressão no Brasil por parte do STF e do Congresso. A suspensão de vistos seria uma forma de pressionar essas empresas a adotarem medidas de “autorregulação” mais alinhadas com as diretrizes do Judiciário brasileiro.

Para críticos da medida, no entanto, trata-se de uma tentativa de intimidar vozes dissidentes e impor uma espécie de censura prévia com respaldo estatal.

 

Implicações diplomáticas

Caso confirmada, a iniciativa pode agravar ainda mais o já tenso cenário político e diplomático entre Brasil e Estados Unidos. O endurecimento da retórica do governo Lula ocorre em um momento em que o país tenta se projetar internacionalmente como um mediador em conflitos e defensor da democracia — mas enfrenta críticas crescentes sobre seus próprios métodos de atuação interna.

Com a proposta, o governo brasileiro corre o risco de ser acusado de instrumentalizar a política externa para blindar aliados do Judiciário e retaliar adversários políticos estrangeiros, acirrando o clima de polarização internacional.

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