Indicação de Lula ao STJ emperra por articulação de Arthur Lira em Alagoas
Presidente da Câmara pede "tempo" ao Planalto para definir seu futuro político antes que Lula escolha nome da lista tríplice do Ministério Público
Por: Redação
07/07/2025 às 07:51

Foto: Fábio Rodrigues-Pozzembom/Agência Brasil
A escolha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para preencher a segunda vaga no Superior Tribunal de Justiça (STJ) continua travada, mesmo após quase nove meses da definição da lista tríplice do Ministério Público. O motivo: a pressão de Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Câmara que pediu ao Planalto mais tempo para articular seu futuro político em Alagoas.
Lira mira uma candidatura ao Senado em 2026, mas seus planos podem ser frustrados caso o atual prefeito de Maceió, JHC (PL), lance-se ao Senado em uma chapa com Renan Calheiros (MDB) — arquirrival político de Lira no estado. Para evitar um cenário desfavorável, o deputado quer controlar as indicações em disputa, inclusive a que envolve a procuradora Maria Marluce Caldas, tia de JHC e nome da lista tríplice para o STJ.
Nos bastidores, aliados de JHC admitem que o apoio à nomeação de Marluce pode abrir espaço para uma aliança com Lula em 2026, o que aumentaria a influência do prefeito no xadrez político alagoano. A possibilidade, no entanto, incomoda Lira, que tenta evitar que adversários ganhem terreno com o apoio do Planalto.
Além de Marluce, a lista do Ministério Público inclui Carlos Frederico Santos, subprocurador-geral da República bem avaliado dentro do governo, e Sammy Lopes, procurador de Justiça do Acre.
Enquanto isso, Lula já indicou Carlos Brandão, desembargador do TRF-1, para a primeira vaga no STJ — mas a sabatina no Senado segue sem data, o que evidencia o impasse político em torno das nomeações.
Com poder acumulado após quatro anos à frente da Câmara, Lira ainda pressiona o governo com projetos sensíveis, como o que aumenta a faixa de isenção do Imposto de Renda para R$ 5 mil, do qual é relator. A proposta tem forte apelo popular e pode servir como moeda de troca na negociação com o Planalto.
A demora na escolha expõe não apenas o peso das articulações regionais nas decisões nacionais, mas também a fragilidade da promessa de Lula de blindar o Judiciário de barganhas políticas.
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