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Itamaraty reage a discurso de Milei e cobra explicações formais do governo argentino
Itamaraty reage a discurso de Milei e cobra explicações formais do governo argentino
Ministro Mauro Vieira classifica declarações do presidente argentino como "grosseiras e inaceitáveis", convoca embaixadores e afirma que Brasil manterá diálogo diplomático
Por: Redação
27/07/2026 às 14:58

Foto: Fayez Nureldine /AFP
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o governo brasileiro solicitará explicações formais à Argentina após as declarações feitas pelo presidente Javier Milei durante a convenção nacional do PL, realizada no último sábado (25). O chanceler classificou as falas do líder argentino como "ríspidas, grosseiras e inaceitáveis", mas descartou, por ora, a adoção de medidas diplomáticas mais duras contra o país vizinho.
Segundo Mauro Vieira, o Palácio do Itamaraty considera grave a postura adotada por Milei em território brasileiro e espera um posicionamento oficial das autoridades argentinas sobre o episódio.
"Nós precisamos de explicações do governo argentino sobre o motivo de o presidente da Argentina ter vindo ao território brasileiro fazer esse tipo de manifestação e declarações ríspidas, grosseiras e inaceitáveis", afirmou o ministro em entrevista à TV Globo.
Apesar da reação, o chanceler ressaltou que a prioridade do governo é preservar os canais diplomáticos entre os dois países. Vieira afirmou que a retirada de embaixadores representa uma medida de elevada gravidade e, neste momento, não será adotada.
Como parte da resposta oficial, o Itamaraty convocou o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para transmitir a insatisfação do governo brasileiro e solicitar esclarecimentos sobre a conduta de Milei durante sua visita ao país. Ao mesmo tempo, o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, também foi chamado para prestar informações sobre o estado das relações bilaterais.
Durante seu discurso, Javier Milei chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de "presidiário" e se referiu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), como "lixo careca". O presidente argentino também afirmou que a América Latina vive um avanço de governos de direita e associou a candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro a esse movimento político.
Mesmo diante do desgaste diplomático, Brasil e Argentina mantêm uma das principais relações comerciais da América do Sul. A Argentina é atualmente o terceiro maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas de China e Estados Unidos. No último ano, as exportações brasileiras para o mercado argentino alcançaram US$ 18,1 bilhões, crescimento de 31,4% em relação ao ano anterior, com destaque para os setores automotivo e da indústria de transformação. Segundo a reportagem, o aumento das vendas também ajudou a reduzir parte dos impactos da desaceleração econômica e do novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos.
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