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Itamaraty vê motivação política em tarifa dos EUA e contesta justificativas do governo Trump

Itamaraty vê motivação política em tarifa dos EUA e contesta justificativas do governo Trump

Diplomatas afirmam que Brasil manteve diálogo com Washington, rejeitam críticas sobre desmatamento e avaliam que decisão americana extrapolou critérios comerciais

Por: Redação

16/07/2026 às 10:05

Imagem de Itamaraty vê motivação política em tarifa dos EUA e contesta justificativas do governo Trump

Foto: Divulgação

Integrantes do Ministério das Relações Exteriores avaliam que a decisão do governo do presidente Donald Trump de impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros possui forte componente político. Segundo diplomatas ouvidos sob reserva, a utilização da Seção 301 da legislação comercial norte-americana teria ido além de critérios técnicos e refletido fatores políticos nas relações entre os dois países.

De acordo com integrantes do Itamaraty, o governo brasileiro rejeita a afirmação do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, de que o Brasil não teria negociado "de boa-fé" durante as tratativas para evitar a aplicação das tarifas.

Diplomatas afirmam que, ao longo das negociações, foram realizadas mais de 30 reuniões entre representantes dos governos brasileiro e norte-americano, muitas delas com a participação do próprio Marco Rubio e do representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer. Segundo integrantes da diplomacia brasileira, a maior parte desses encontros foi proposta pelo próprio Brasil.

Outro ponto contestado pelo Itamaraty diz respeito às críticas dos Estados Unidos sobre o desmatamento na Amazônia. Integrantes da pasta afirmam que os dados oficiais indicam redução significativa do desmatamento entre 2022 e 2025, argumento utilizado para rebater as justificativas apresentadas por Washington.

Na avaliação de diplomatas brasileiros, a condução do caso demonstra mudança de postura da administração norte-americana. Eles lembram que, inicialmente, o Brasil havia sido enquadrado na faixa mínima das tarifas comerciais anunciadas pelos Estados Unidos, com alíquota de 10%, percentual posteriormente elevado.

Segundo integrantes da diplomacia, o aumento das tarifas teria ocorrido após manifestações públicas do presidente Donald Trump envolvendo o cenário político brasileiro, o que reforçaria, na avaliação do Itamaraty, o caráter político da decisão.

Diplomatas também avaliam que o uso da Seção 301 foi adotado como alternativa para manter pressão comercial sobre o Brasil diante das disputas judiciais envolvendo outras medidas tarifárias implementadas pelos Estados Unidos.

Enquanto isso, o governo brasileiro mantém a posição de contestar as justificativas apresentadas por Washington e estuda medidas de reação com base na Lei da Reciprocidade Econômica, além de avaliar novas iniciativas no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC).

 

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