Lula reúne ministros para definir reação ao tarifaço dos Estados Unidos
Governo busca resposta à nova tarifa de 25% sem ampliar desgaste diplomático com Washington; reunião ocorre no Palácio do Planalto
Por: Redação
16/07/2026 às 15:09

Foto: Tânia Rego/Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) convocou, nesta quinta-feira (16), uma reunião ministerial para discutir a estratégia do governo diante da decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre parte das exportações brasileiras.
Participam do encontro o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a ministra-chefe da Casa Civil, Miriam Belchior, e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. A reunião ocorre no Palácio do Planalto e faz parte da articulação do governo para definir os próximos passos diante da medida anunciada por Washington.
Segundo integrantes do Executivo, a orientação é avaliar alternativas que respondam à decisão norte-americana sem provocar um agravamento da crise diplomática entre os dois países. Após a reunião, Mauro Vieira e Dario Durigan devem se pronunciar sobre as medidas em estudo.
O novo tarifaço intensificou a disputa política em torno das responsabilidades pela deterioração das relações entre Brasil e Estados Unidos. Enquanto parlamentares da oposição atribuem a decisão a falhas na condução da política externa do governo Lula, integrantes do Palácio do Planalto sustentam que a medida possui motivações políticas.
A tarifa de 25%, confirmada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), entra em vigor em 22 de julho e foi adotada após investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Apesar da medida, produtos considerados estratégicos, como petróleo, café e carne bovina, permaneceram fora da nova sobretaxa.
Em nota oficial, o governo brasileiro classificou a decisão dos Estados Unidos como um "marco lastimável" nas relações bilaterais, anunciou que pretende recorrer aos instrumentos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica e voltou a contestar as justificativas apresentadas por Washington.
O episódio também reacendeu o debate sobre a atuação brasileira durante a investigação conduzida pelo USTR. Enquanto o governo afirma ter mantido diálogo permanente com as autoridades norte-americanas, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participou das audiências realizadas em Washington e defendeu o cancelamento das tarifas, alertando para os impactos da medida sobre a economia e os setores produtivos brasileiros.
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