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Janones recua e aceita suspensão de três meses para evitar punição maior na Câmara
Janones recua e aceita suspensão de três meses para evitar punição maior na Câmara
Deputado desistiu de recorrer após pressão interna indicar risco de pena dobrada; Conselho de Ética já prepara processo de cassação
Por: Redação
17/07/2025 às 07:50

Foto: Divulgação
O deputado federal André Janones (Avante-MG) decidiu não recorrer da suspensão de três meses determinada pelo Conselho de Ética da Câmara, após tumulto envolvendo o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). A punição, aprovada por 15 votos a 3, foi confirmada nesta quarta-feira (16) e tem efeito imediato, com corte de salário e benefícios parlamentares durante o período.
A decisão de recuar foi estratégica: um eventual recurso ao plenário poderia ampliar a suspensão para até seis meses, segundo apontaram lideranças da Casa. Inicialmente, Janones chegou a declarar que recorreria, mas a sinalização de um clima desfavorável entre os colegas o fez mudar de rumo.
A suspensão ocorreu com base no rito sumário, instituído pela Câmara em 2024, como forma de coibir episódios de tumulto, insultos e agressões no plenário. Janones, conhecido por seu ativismo pró-Lula nas redes sociais, poderá ainda enfrentar um processo de cassação, que seguirá tramitação regular.
Discussão acalorada virou caso disciplinar
O episódio que culminou na suspensão se deu durante um pronunciamento de Nikolas Ferreira, quando Janones se aproximou da tribuna com o celular em mãos, gravando e provocando parlamentares opositores com expressões como “traidores”. O clima esquentou, e aliados de Nikolas passaram a chamar o colega de “rachadinha” e “vagabundo”.
O relator do caso, deputado Fausto Santos Jr. (União Brasil-AM), apontou que Janones utilizou termos ofensivos com conotação homofóbica e comportamento incompatível com o decoro parlamentar. “Não se trata apenas de desrespeito pessoal, mas de uma conduta que reforça preconceitos e distorce o papel do mandato”, declarou.
Vítima ou provocador?
Apesar de alegar que também foi alvo de agressões físicas — inclusive com acusações de ter sido apalpado por adversários —, Janones não convenceu os membros do Conselho de que agiu de forma passiva. Para os parlamentares, o comportamento reiterado e performático do deputado representa uma ameaça à institucionalidade da Câmara, já fragilizada por disputas políticas transmitidas como espetáculo pelas redes sociais.
A suspensão não encerra o caso. O Conselho prepara agora a abertura de um processo de cassação, diante da reincidência de comportamentos incompatíveis com o cargo e do uso político das prerrogativas parlamentares.
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