O presidente nacional do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, foi condenado pela Justiça do Distrito Federal a pagar R$ 20 mil de indenização por danos morais ao Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores.
A decisão foi proferida pela 5ª Vara Cível de Brasília após ação movida pelo PT em razão de declarações feitas por Valdemar durante o Rocas Festival 2025, realizado em setembro do ano passado, em Itu, no interior de São Paulo.
Na ocasião, o dirigente do PL afirmou que os atos de 8 de janeiro de 2023 teriam sido organizados pelo próprio PT.
“Quem começou o quebra-quebra foi o povo do PT, e tem filmagem deles saindo de lá tranquilamente”, declarou Valdemar durante o evento.
O festival reuniu lideranças políticas e empresários do setor equino. Durante um painel mediado pelo deputado estadual Tomé Abduch, Valdemar participou de debate ao lado do presidente nacional do Partido Social Democrático, Gilberto Kassab.
No encontro, o dirigente do PL também defendeu o projeto de anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro e afirmou que a prioridade da direita em 2026 será ampliar maioria no Senado Federal.
Durante a fala, Valdemar declarou ainda que teria existido um “planejamento de golpe”, mas argumentou que o plano não teria sido executado.
“O golpe não foi crime. O grande problema nosso é que teve aquela bagunça no 8 de Janeiro e o Supremo diz que aquilo foi golpe”, afirmou à época.
Dias depois, o dirigente reconheceu publicamente que “errou” ao afirmar que houve planejamento de golpe sem execução.
Na sentença, o magistrado entendeu que as declarações ultrapassaram os limites da crítica política e configuraram imputação indevida de prática criminosa ao partido adversário.
“Não se trata, aqui, de mera emissão de opinião ou crítica política genérica”, escreveu o juiz.
Segundo a decisão, as falas “extrapolam a crítica político-ideológica e ingressam na seara da imputação de conduta criminosa específica”.
Com isso, a Justiça determinou o pagamento de indenização de R$ 20 mil ao diretório nacional do PT.
Até o momento, Valdemar Costa Neto não se manifestou publicamente sobre a condenação.