Líder do MST chama Lula 3 de pior mandato para reforma agrária
João Paulo Rodrigues afirma que política fiscal reduziu espaço da reforma agrária no governo e diz que movimento apoiará Lula em 2026 por considerar que adversários defendem o enfraquecimento do MST
Por: Redação
28/07/2026 às 09:07

Foto: Cristiano Mariz
O coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Paulo Rodrigues, afirmou que o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresenta o pior desempenho da gestão petista na área da reforma agrária. Apesar das críticas, ele confirmou que o movimento apoiará a candidatura de Lula à reeleição em 2026.
Em entrevista ao programa Frente a Frente, do Canal UOL, Rodrigues atribuiu o resultado à política econômica adotada pelo governo, afirmando que a agenda de ajuste fiscal teria deixado a reforma agrária em segundo plano. Segundo ele, o desempenho ficou abaixo das expectativas do próprio MST e de setores da esquerda ligados ao PT.
O dirigente afirmou que cerca de 10 mil famílias deverão ser assentadas até o fim deste ano, enquanto aproximadamente 150 mil permanecem acampadas à espera de terras. Na avaliação dele, mantido o ritmo atual, seriam necessários cerca de 15 anos para atender toda a demanda existente.
Mesmo com as críticas ao governo, Rodrigues disse que o apoio à candidatura de Lula já está definido. Segundo ele, a decisão é baseada na defesa da democracia e na expectativa de que um eventual quarto mandato priorize a reforma agrária por meio de ações do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e da ampliação dos recursos orçamentários para a área.
O coordenador também declarou esperar que, em um novo mandato, Lula tenha "mais coragem" para enfrentar as restrições fiscais. Ao mesmo tempo, reconheceu avanços do atual governo para o setor agrícola, citando a ampliação do crédito rural e a renegociação de dívidas de pequenos e médios produtores.
Durante a entrevista, Rodrigues afirmou que alguns candidatos à Presidência defendem a "morte do MST" e, por esse motivo, o movimento não pretende buscar diálogo com esses grupos políticos. Como exemplo, citou o governador de Goiás e candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, lembrando declarações feitas por ele em defesa do endurecimento das punições contra invasões de propriedades durante a CPI do MST, em 2023. O líder do movimento também criticou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), por, segundo ele, desconsiderar o MST durante sua gestão.
Ao comentar o cenário político após Lula, Rodrigues afirmou que não enxerga um sucessor natural para o presidente em 2030. Ele mencionou nomes como Fernando Haddad e Guilherme Boulos entre as lideranças da esquerda, mas avaliou que a definição dependerá do resultado das eleições de 2026 e da composição política que surgir após o pleito.
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