O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem atuado nos bastidores para tentar convencer o ministro Dias Toffoli a se afastar do Supremo Tribunal Federal (STF), em meio ao avanço das investigações relacionadas ao caso Banco Master. A movimentação ocorre diante do temor de novos desdobramentos que possam ampliar a crise política e institucional.
Segundo interlocutores próximos ao Planalto, Lula tem solicitado a aliados de Toffoli que o incentivem a pedir licença sob alegação de questões de saúde, com a possibilidade de uma saída definitiva no médio prazo. A estratégia teria como objetivo reduzir o impacto de eventuais revelações envolvendo a relação do ministro com o grupo do empresário Daniel Vorcaro.
Apesar da pressão, Toffoli tem sinalizado resistência. A pessoas próximas, o ministro afirma que não pretende se afastar e que não há novas informações relevantes além das já apresentadas pela Polícia Federal ao presidente do STF, Edson Fachin.
O caso ganhou força após a divulgação de transações envolvendo Toffoli e empresas ligadas ao Banco Master, incluindo a venda de uma participação em um resort, que teria envolvido cerca de R$ 35 milhões. Diante da repercussão, o ministro abriu mão da relatoria de processos relacionados ao caso, embora o STF tenha arquivado questionamentos sobre sua suspeição.
Nos bastidores, a avaliação no governo é que a crise pode atingir diretamente a imagem do Supremo e, por consequência, do próprio Planalto. Um dos principais objetivos de Lula seria evitar que a pressão sobre Toffoli respingue em outros ministros, especialmente Alexandre de Moraes, também citado em desdobramentos do caso.
Aliados do presidente apontam que há preocupação em “blindar” Moraes, considerado peça-chave em decisões que impactaram diretamente o cenário político recente. A leitura é de que um agravamento da crise poderia comprometer não apenas o STF, mas também o governo.
O contexto é agravado por dados recentes de pesquisas de opinião, que indicam aumento da desconfiança da população em relação à Corte. Levantamentos apontam que uma parcela significativa dos brasileiros já manifesta apoio a propostas mais duras contra ministros do Supremo, como pedidos de impeachment.
Diante desse cenário, o Planalto tenta reduzir danos e evitar o aprofundamento da crise. No entanto, a resistência de Toffoli e a possibilidade de novas revelações mantêm o ambiente de instabilidade, com potencial impacto direto no equilíbrio entre os Poderes e nas disputas políticas em curso.





