Lula diz que “nunca foi esquerdista” no G7
Declaração ocorreu durante diálogo com o chanceler alemão Friedrich Merz e a diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva
Por: Redação
17/06/2026 às 16:39

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Uma conversa captada durante a cúpula do G7, realizada na França, revelou uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre sua trajetória política. Durante diálogo com o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, e a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, o petista afirmou que “nunca foi esquerdista”.
A gravação registrou Lula defendendo que o cenário político mundial é marcado pela predominância de posições moderadas, e não por correntes ideológicas mais à esquerda.
“O mundo não é de esquerda. O mundo é do caminho do meio”, afirmou o presidente durante a conversa.
Comentário surgiu após observação de dirigente do FMI
O tema surgiu quando Kristalina Georgieva comentou a percepção internacional existente no início do primeiro mandato de Lula, em 2003.
Segundo a dirigente do FMI, havia expectativa de que o então presidente adotasse uma postura mais alinhada à esquerda quando assumiu o comando do país.
“Quando você foi presidente pela primeira vez, todos esperavam que você fosse um esquerdista. Mas você não foi”, afirmou Georgieva.
Em resposta, Lula declarou: “Mas eu nunca fui esquerdista”. A diretora do FMI observou que, independentemente disso, essa era a imagem que parte da comunidade internacional tinha do líder brasileiro naquele período.
Lula cita histórico sindical
Durante a conversa, o presidente atribuiu parte dessa percepção à sua atuação no movimento sindical e às relações que manteve com organizações trabalhistas da Europa.
Lula relembrou contatos com sindicatos da Alemanha, Itália e Espanha e afirmou que chegou a ser visto como anticomunista em determinados círculos políticos europeus após recusar participação em um congresso realizado na então União Soviética, em 1980.
Segundo o presidente, a decisão ocorreu durante o período em que enfrentava processos com base na Lei de Segurança Nacional e buscava apoio internacional para sua situação política.
Declaração contrasta com discursos anteriores
A fala chamou atenção por contrastar com declarações dadas por Lula em diferentes momentos de sua trajetória política.
Em campanhas eleitorais e entrevistas, o presidente já afirmou que seus governos buscaram conciliar interesses de trabalhadores e empresários. Por outro lado, em eventos ligados à esquerda latino-americana, também declarou não se sentir ofendido ao ser chamado de comunista ou socialista.
A declaração ocorreu durante a participação brasileira na cúpula do G7, encontro que reuniu líderes das principais economias do mundo e países convidados para discutir temas relacionados à economia global, segurança internacional e cooperação entre nações.
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