Às vésperas da sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, ainda não conseguiu apoio ou sinalização do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
O silêncio do senador ao longo de cinco meses de tramitação da indicação expõe um ponto de tensão na articulação do governo Lula para emplacar o nome no Supremo Tribunal Federal (STF).
Messias percorreu o Senado e se reuniu com cerca de 77 dos 81 parlamentares, incluindo nomes da oposição. Ainda assim, não conseguiu agenda com Alcolumbre, que defendia outro nome para a vaga.
Nos bastidores, o distanciamento foi agravado após a participação de Messias em um jantar promovido por um adversário político de Alcolumbre no Amapá.
Apesar disso, aliados do governo afirmam que o indicado já reúne ao menos 47 votos, acima do mínimo necessário de 41 para aprovação no plenário. A expectativa, no entanto, é de margem apertada.
O próprio Planalto voltou a atuar diretamente na reta final. O presidente Lula intensificou reuniões com lideranças do Senado para tentar garantir votos antes da sabatina.
A indicação também enfrentou atraso de mais de quatro meses, reflexo do receio do governo de sofrer derrota no Congresso.
Mesmo com expectativa de aprovação, o cenário ainda é tratado com cautela por aliados, que veem risco político na votação e admitem que o resultado pode ser mais apertado do que o esperado.