Moraes apagou mensagens a Vorcaro, mas condenou Débora pelo mesmo motivo
Ministro utilizou troca de mensagens que se apagam automaticamente com Daniel Vorcaro, apesar de ter tratado ausência de conversas como indício de culpa em julgamento do 8 de janeiro
Por: Redação
06/03/2026 às 14:58

Foto: José Cruz/Agência Brasil
Uma nova revelação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), reacendeu críticas sobre critérios adotados em decisões judiciais relacionadas aos atos de 8 de janeiro de 2023.
Informações obtidas pela Polícia Federal indicam que Moraes trocou mensagens com o então dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, utilizando recursos de visualização única, que fazem com que o conteúdo desapareça automaticamente após ser lido.
O episódio ganhou repercussão porque o próprio ministro utilizou a ausência de mensagens no celular de uma investigada como argumento para condenação em outro processo.
Caso da cabeleireira do 8 de janeiro
No julgamento da cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, acusada de pichar uma estátua com batom durante os atos em Brasília, Moraes afirmou que a falta de conversas no período investigado poderia indicar tentativa deliberada de ocultar provas.
A decisão citou um relatório da Polícia Federal sobre o celular da investigada. No documento, os peritos apontaram que não foram encontradas conversas relevantes no WhatsApp relacionadas aos fatos, mas ressaltaram que isso poderia ser apenas uma possibilidade, não uma conclusão definitiva.
Mesmo assim, o ministro interpretou a lacuna de mensagens como elemento que demonstraria “desprezo para com o Poder Judiciário e a ordem pública”.
Conversas com Vorcaro
Em sentido oposto, registros obtidos no celular de Daniel Vorcaro — apreendido pela Polícia Federal — mostram que o banqueiro mantinha conversas com Moraes utilizando mensagens temporárias, que desaparecem após a leitura.
Esse tipo de recurso impede a preservação automática do conteúdo, dificultando a recuperação posterior das mensagens.
Segundo os dados analisados, Vorcaro chegou a relatar ao ministro informações relacionadas às negociações para venda do Banco Master e também tratou de temas ligados ao inquérito que corria em sigilo na Justiça Federal de Brasília.
Questionamentos políticos
A revelação passou a ser utilizada por críticos da atuação do STF como exemplo de suposto tratamento desigual em processos judiciais, especialmente nos casos ligados aos atos de 8 de janeiro.
Para opositores do ministro, o uso de mensagens que desaparecem automaticamente reproduz justamente o tipo de comportamento que foi considerado suspeito no julgamento da cabeleireira.
Eventual abertura de investigação sobre o episódio dependerá de avaliação da Procuradoria-Geral da República (PGR).
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