Motta sinaliza resistência a projeto bilionário aprovado pelo Senado
Presidente da Câmara indicou a Alcolumbre que não pretende acelerar votação de proposta de renegociação de dívidas rurais com impacto estimado em R$ 140 bilhões
Por: Redação
12/06/2026 às 09:32

Foto: Saulo Cruz/Agência Senado
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), demonstrou resistência à tramitação do projeto de renegociação de dívidas rurais aprovado pelo Senado Federal nesta semana.
Segundo informações obtidas pela coluna Igor Gadelha, Motta conversou com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), antes mesmo da votação da proposta e evitou assumir compromisso sobre levar a matéria ao plenário da Câmara.
Alcolumbre buscou sinalização da Câmara
Durante a conversa, Alcolumbre questionou se a Câmara votaria o projeto caso ele fosse aprovado pelos senadores.
Motta, no entanto, não deu garantias. De acordo com relatos, o presidente da Câmara afirmou que ainda não conhecia em detalhes o conteúdo da proposta e preferia analisar seus efeitos antes de tomar qualquer decisão.
O projeto aprovado pelo Senado prevê a criação de mecanismos para renegociação de dívidas de produtores rurais e tem impacto fiscal estimado em R$ 140 bilhões ao longo de dez anos.
Motta citou precedente do Rio Grande do Sul
Na conversa com Alcolumbre, o deputado lembrou que a Câmara aprovou medida semelhante em 2025, mas em circunstâncias específicas.
Na ocasião, a proposta beneficiava produtores atingidos pelas enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul.
Motta também recordou que uma tentativa de ampliar os benefícios para agricultores do Nordeste acabou barrada devido ao impacto que a medida poderia causar nas contas públicas.
Governo tenta impedir avanço da proposta
A resistência demonstrada por Motta ocorre em meio à preocupação do governo federal com a aprovação da matéria.
Um dia após a votação no Senado, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, entrou em contato com o presidente da Câmara para pedir cautela na análise do projeto.
Segundo relatos, Guimarães afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou insatisfeito com a aprovação da proposta, especialmente pelo apoio recebido de parlamentares ligados a partidos que integram a base governista.
Pressão do agro aumenta
Ao mesmo tempo em que recebe apelos do governo, Hugo Motta também enfrenta pressão da bancada ruralista, que defende a rápida aprovação da proposta na Câmara.
A parlamentares próximos, o presidente da Casa tem afirmado que pretende conduzir a discussão com responsabilidade, levando em consideração os impactos fiscais envolvidos.
A tendência é que a matéria seja analisada nas próximas semanas, em meio ao debate sobre o equilíbrio das contas públicas e o apoio ao setor agropecuário.
Veja mais em >>> Rede Comunica Brasil



