Editorial do jornal O Globo defendeu a adoção de regras mais transparentes e objetivas para o uso de aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) por autoridades públicas.
A publicação afirma que há indícios de “descontrole, desperdício e ineficiência” na utilização dos aviões oficiais, com base em auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU). Segundo o levantamento, o custo de voos da FAB pode ser até 6,4 vezes superior ao de voos comerciais.
O estudo analisou cerca de 7,5 mil voos realizados entre 2020 e 2024, com aproximadamente 73 mil passageiros. Entre os dados, há registros de voos com apenas um passageiro e baixa taxa média de ocupação, estimada em 55%, o que indica subutilização recorrente das aeronaves.
O editorial também aponta falhas na transparência das viagens. Em uma amostra analisada, cerca de 70% dos voos não apresentavam identificação adequada dos passageiros ou informações claras sobre a finalidade das agendas, dificultando a verificação do interesse público.
As normas atuais permitem o uso das aeronaves por autoridades como ministros, vice-presidente e chefes de Poder, em situações como segurança, emergência médica ou compromissos oficiais. No entanto, o jornal avalia que essas regras nem sempre são cumpridas.
Diante das inconsistências, o TCU determinou que órgãos do governo federal apresentem um plano para reformular os critérios de uso das aeronaves, com exigência de maior controle e transparência.
O editorial conclui que o uso dos aviões oficiais deve atender estritamente ao interesse público, destacando que “não é jatinho particular”.