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ONG classifica Gilmarpalooza como “maior evento de lobby judicial do planeta”
ONG classifica Gilmarpalooza como “maior evento de lobby judicial do planeta”
Transparência Internacional critica falta de transparência e vê clientelismo em encontro promovido por Gilmar Mendes; ministro rebate e diz que evento é "ponto de diálogo com a Europa"
Por: Redação
07/07/2025 às 12:15

Foto: Marcela Gracie
A ONG Transparência Internacional – Brasil afirmou nesta segunda-feira (7) que o Fórum de Lisboa, promovido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, se transformou no “maior evento de lobby judicial do planeta”. A entidade criticou a ausência de transparência nas fontes de financiamento e nos interesses envolvidos no evento, que reúne anualmente magistrados, políticos e empresários brasileiros na capital portuguesa.
Apelidado nas redes sociais como “Gilmarpalooza”, o fórum é organizado pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), fundado por Gilmar Mendes, e, segundo a ONG, projeta uma imagem de um Brasil “preso ao clientelismo”, em vez de sinalizar avanços institucionais.
“Sem qualquer transparência sobre as verbas públicas, patrocínios privados e conflitos de interesses, [o evento] não projeta para o mundo um Brasil cosmopolita e inserido nos debates contemporâneos, mas sim um país preso ao clientelismo”, publicou a ONG no X (antigo Twitter).
Apesar de o tema da edição deste ano ser voltado à era da inteligência artificial e seus impactos no direito e na democracia, a entidade critica o caráter opaco das articulações políticas realizadas nos bastidores do evento, fora do alcance do controle público.
Gilmar Mendes minimiza críticas e defende o fórum
Em resposta às críticas, o ministro Gilmar Mendes afirmou que o evento é um espaço legítimo de intercâmbio institucional entre Brasil e Europa e rebateu as insinuações de favorecimentos ou acordos obscuros. “Ninguém vem aqui para fazer coisa errada, vocês sabem disso”, disse o ministro na última sexta-feira (4). Ele também afirmou que o fórum “é aberto à imprensa” e defendeu o diálogo entre juízes, advogados e empresários como prática comum.
“O Fórum de Lisboa é hoje um ponto fundamental de diálogo entre o Brasil e a Europa”, escreveu Gilmar em sua rede social.
Mesmo assim, a realização do evento fora do país, com patrocínios privados e presença de figuras com interesses diretos no Judiciário, alimenta o debate sobre a transparência e os limites éticos do encontro. A crítica da Transparência Internacional reforça uma percepção crescente sobre o uso de espaços institucionais para articulações que ultrapassam o interesse público, em um contexto marcado por denúncias de patrimonialismo e judicialização da política.
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