Operação mira fintechs e esquema de fraude no setor de combustíveis
Ministério Público cumpre 55 mandados e investiga suspeitas de lavagem de dinheiro, sonegação e adulteração com uso de nafta
Por: Redação
28/05/2026 às 08:43

Foto: José Cruz/Agência Brasil
O Ministério Público de São Paulo (MPSP), em conjunto com órgãos de fiscalização e segurança, deflagrou uma nova operação contra suspeitas de fraudes no setor de combustíveis. Batizada de Operação Fluxo Oculto, a ação investiga seis fintechs apontadas como parte de um suposto esquema de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e adulteração de combustíveis, além de cumprir 55 mandados de busca e apreensão em diferentes estados.
Segundo o MPSP, a operação é um desdobramento da Operação Carbono Oculto, iniciada em agosto de 2025, que investigou o avanço de organizações criminosas no mercado de combustíveis e no sistema de pagamentos financeiros ligados ao setor. De acordo com os investigadores, o objetivo agora é aprofundar a coleta de provas, identificar novos envolvidos e ampliar o rastreamento dos recursos movimentados pelo grupo.
As seis fintechs investigadas são apontadas pelo Ministério Público como integrantes de um núcleo financeiro utilizado para movimentações internas entre distribuidoras, postos de combustíveis, empresas e fundos de investimento ligados ao suposto esquema. Segundo a apuração, essas estruturas teriam servido para pagamentos operacionais, compensações financeiras e ocultação da origem dos recursos.
A investigação também mira um suposto esquema de adulteração de combustíveis com uso de nafta petroquímica, um solvente derivado do petróleo. Conforme denúncia apresentada à Justiça, o grupo teria criado empresas de fachada em diferentes estados para simular a compra de solventes, que seriam desviados, na prática, para terminais e postos de combustíveis na Grande São Paulo. O Ministério Público afirma que parentes, pessoas em situação de vulnerabilidade social e até presos teriam sido utilizados para formalizar empresas ligadas ao esquema.
Segundo a força-tarefa, fundos de investimento também teriam sido usados para ocultar os reais beneficiários das operações financeiras. A investigação identificou quatro fundos sob suspeita, além de duas administradoras de recursos e duas gestoras ligadas ao caso. Juntos, os fundos investigados possuem patrimônio estimado em cerca de R$ 205 milhões, valor que teria registrado crescimento superior a 200% em pouco mais de um ano, de acordo com o MPSP.
Participam da operação o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Receita Federal, Agência Nacional do Petróleo (ANP), Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, Procuradoria-Geral do Estado, Polícia Militar e Polícia Civil, com apoio de unidades do Ministério Público do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná.
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