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PF aponta que lobista dizia ter autorização para representar Lulinha

PF aponta que lobista dizia ter autorização para representar Lulinha

Relatório de investigação cita conversas de Roberta Luchsinger sobre atuação em nome de Fábio Luís Lula da Silva; defesa contesta conteúdo e questiona autenticidade das mensagens

Por: Redação

19/08/2026 às 07:37

Imagem de PF aponta que lobista dizia ter autorização para representar Lulinha

Foto: FE/Fernando Bizerra Jr./Arquivo

A Polícia Federal (PF) afirma que a lobista Roberta Luchsinger demonstrava ter autorização para atuar em nome de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A informação consta de um relatório produzido em um novo inquérito aberto para apurar suspeitas relacionadas à atuação da empresária.

Segundo a investigação, Roberta teria se apresentado como representante de Lulinha em uma conversa com Gustavo Gaspar, ex-assessor do senador Weverton Rocha. Gaspar é investigado por suspeita de envolvimento em desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A PF aponta que Gaspar, Roberta e o empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, teriam atuado na prospecção de negócios junto ao governo federal.

 

Três inquéritos foram abertos no STF

A partir dos diálogos reunidos na investigação, a PF solicitou a abertura de três novos inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar possíveis casos de tráfico de influência.

Um deles investiga negociações relacionadas ao Ministério da Saúde. Outro trata de possíveis negócios envolvendo a Dataprev. O terceiro apura a atuação dos envolvidos em outra área da administração federal.

Os pedidos foram apresentados no fim de julho e tiveram como base elementos obtidos durante a investigação sobre as fraudes no INSS. A PF também busca verificar se Lulinha teria mantido uma eventual sociedade oculta com Antônio Camilo Antunes e se Roberta teria custeado despesas de viagens do filho do presidente.

 

Mensagens citam pagamentos e negócio no Ministério da Saúde

O relatório também registra conversas envolvendo Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-chefe de gabinete da Presidência da República.

Segundo a PF, as mensagens indicam pagamentos de boletos e outras despesas relacionadas a Ribeiro. O ex-assessor afirmou ter recebido um empréstimo e quitado R$ 249 mil. Os investigadores também identificaram conversas entre ele e Roberta sobre a compra de joias para a mulher de Ribeiro.

Em outro diálogo, Roberta encaminhou a Ribeiro uma minuta de contrato para a venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde. Para a PF, a conversa indica uma tentativa de obter auxílio do então assessor presidencial para viabilizar o negócio.

O material, porém, não registra o encaminhamento da minuta para outra instância do governo.

 

Defesa de Lulinha contesta conclusões da PF

A defesa de Lulinha rejeitou as conclusões apresentadas no relatório. O advogado Marco Aurélio de Carvalho classificou as afirmações da PF como “ilações irresponsáveis” e acusou setores da corporação de atuar com objetivos eleitorais.

Os advogados também afirmaram que Lulinha não pode ser responsabilizado por declarações feitas por Roberta e que não comentarão mensagens cuja autenticidade ainda não tenha sido comprovada.

A defesa da lobista, por sua vez, afirmou que a divulgação de informações prejudica as investigações e pediu ao Ministério da Justiça que apure o caso.

Até o momento, o material citado no relatório trata de suspeitas sob investigação, e não de uma condenação ou conclusão definitiva sobre eventual prática de crime por Lulinha.

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