Negócios imobiliários envolvendo o senador Ciro Nogueira passaram a chamar atenção após novas aquisições realizadas em São Paulo entre 2024 e 2025, período em que o parlamentar se aproximou do grupo ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo informações reveladas pela investigação, o patrimônio imobiliário ligado ao senador cresceu cerca de R$ 29 milhões após o início da sociedade com empresas relacionadas ao caso Master.
A principal aquisição foi um triplex avaliado em R$ 22 milhões em um dos edifícios mais exclusivos da capital paulista. Posteriormente, o imóvel foi trocado por uma mansão de 878 metros quadrados no Jardim Europa, em negociação realizada com o empresário Antonio Rocha Neto, conhecido como Rochinha.
Segundo os registros, os dois imóveis juntos estão avaliados em aproximadamente R$ 30 milhões.
Além do triplex, outras três aquisições somaram cerca de R$ 7 milhões. Todos os imóveis foram registrados em nome da CNLF Empreendimentos Imobiliários, holding cujo titular formal é Raimundo Nogueira Lima, irmão do senador.
Entre os bens adquiridos estão:
- um apartamento de 78 metros quadrados no Itaim Bibi, comprado por R$ 650 mil em agosto de 2024 e posteriormente transferido para outra empresa ligada ao senador por R$ 1,3 milhão;
- um imóvel de 97 metros quadrados na Rua Oscar Freire, adquirido em setembro de 2024 por R$ 660 mil;
- metade de uma casa no Morumbi, avaliada em R$ 5 milhões, comprada em novembro de 2025 e compartilhada com familiares.
Ao comentar o caso, Ciro Nogueira afirmou ao portal Metrópoles que os imóveis seriam destinados a familiares, incluindo sua mãe, a ex-deputada Iracema Portella e sua filha. O senador também declarou que “nenhum imóvel foi utilizado recurso desta Green Investimentos”.
As investigações da Polícia Federal apontam que a CNLF adquiriu 30% da Green Investimentos SA por R$ 1 milhão, embora as ações fossem avaliadas em cerca de R$ 13 milhões.
Segundo a PF, a diferença representaria uma vantagem econômica indevida de aproximadamente R$ 12 milhões em favor de Ciro Nogueira, em período no qual o senador teria atuado em favor de interesses do Banco Master no Congresso Nacional.
A investigação também cita mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro nas quais o banqueiro afirma que uma emenda apresentada por Ciro em agosto de 2024 teria saído “exatamente como mandei”.
A proposta buscava ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por investidor, medida que beneficiaria diretamente o Banco Master.
Apesar disso, a emenda não avançou no Congresso. O Banco Master acabou liquidado pelo Banco Central do Brasil em novembro de 2025, mesma época em que Daniel Vorcaro foi preso na primeira fase da Operação Compliance Zero.