PF faz operação sobre investimentos do RioPrevidência no Banco Master
Cláudio Castro é alvo de investigação que apura aportes bilionários do fundo de aposentadorias em instituição liquidada pelo Banco Central
Por: Redação
26/05/2026 às 07:05

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro é alvo de uma nova operação da Polícia Federal (PF) que investiga aportes bilionários do RioPrevidência no Banco Master. Nesta terça-feira (26), agentes cumpriram 10 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e no Distrito Federal, em ação autorizada pelo ministro do STF André Mendonça.
A investigação apura aplicações de aproximadamente R$ 970 milhões feitas pelo fundo previdenciário dos servidores estaduais em letras financeiras emitidas pelo Banco Master, instituição posteriormente liquidada pelo Banco Central após crise financeira e investigações sobre irregularidades.
Segundo a PF, o objetivo é esclarecer quem autorizou os investimentos, quais critérios técnicos foram utilizados e se recursos destinados ao pagamento de aposentadorias e pensões foram submetidos a operações consideradas de risco elevado.
Os aportes investigados teriam ocorrido entre novembro de 2023 e julho de 2024. As letras financeiras funcionam como títulos emitidos por bancos para captação de recursos no mercado, funcionando, na prática, como uma forma de empréstimo institucional em troca de rentabilidade futura.
O caso ganhou relevância porque os ativos adquiridos pelo RioPrevidência não possuíam cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mecanismo normalmente utilizado para proteger investidores em situações de quebra bancária.
Além dos cerca de R$ 970 milhões aplicados em letras financeiras, relatórios analisados pela investigação apontam que o RioPrevidência também teria direcionado aproximadamente R$ 1,5 bilhão para fundos administrados pelo Banco Master.
Batizada de Operação Barco de Papel, a ofensiva da PF busca apurar eventual gestão temerária, favorecimento indevido ou outras possíveis irregularidades relacionadas à destinação dos recursos públicos do fundo previdenciário.
Em manifestação pública, o RioPrevidência afirmou que os investimentos seguiram parâmetros legais e sustentou que os valores estariam protegidos por mecanismos jurídicos ligados à retenção de receitas de crédito consignado.
Mesmo assim, investigadores tentam esclarecer se alertas de risco foram ignorados e quais agentes públicos participaram das decisões que autorizaram a concentração bilionária de recursos no Banco Master.
A operação aumenta a pressão política sobre Cláudio Castro, que já havia sido alvo de apurações da Polícia Federal em outra investigação relacionada ao caso Refit.
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