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PF investiga ex-diretor da CVM por suspeita de favorecer Banco Master

PF investiga ex-diretor da CVM por suspeita de favorecer Banco Master

Apuração aponta possível benefício ao banqueiro Daniel Vorcaro em processos da autarquia antes de ex-dirigente atuar em escritório ligado ao banco

Por: Redação

12/03/2026 às 10:12

Imagem de PF investiga ex-diretor da CVM por suspeita de favorecer Banco Master

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A Polícia Federal investiga o ex-diretor da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) Henrique Machado Moreira por suspeita de favorecer o Banco Master em processos conduzidos dentro da autarquia reguladora do mercado financeiro.

Segundo a investigação, há indícios de que decisões tomadas por Machado enquanto ocupava cargo na CVM teriam beneficiado diretamente o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador da instituição financeira. Posteriormente, o ex-diretor passou a trabalhar em um escritório de advocacia que prestava serviços ao banco.

Henrique Machado Moreira integrou a diretoria da CVM entre julho de 2016 e dezembro de 2020. Em sua defesa, ele afirmou que não manteve contato com advogados do Banco Master durante o período em que atuou na autarquia e declarou que “jamais recebeu proposta de trabalho” da instituição enquanto ocupava o cargo público.

O ex-diretor também ressaltou que um termo de compromisso firmado por Vorcaro com a CVM foi aprovado apenas após seu desligamento do órgão regulador.

A investigação faz parte do contexto da Operação Compliance Zero, que apura possíveis fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. Relatórios da Polícia Federal indicam que, em 2019, uma emissão de debêntures da empresa Centara teria sido utilizada para desviar cerca de R$ 22 milhões para cotistas do banco de forma irregular.

Segundo a PF, essas operações teriam beneficiado Vorcaro e familiares por meio de empresas sem capacidade financeira real, utilizadas para transferir recursos ao patrimônio do banqueiro. O banco Máxima — adquirido por Vorcaro em 2019 e posteriormente rebatizado como Banco Master — aparece citado nas apurações.

Durante a análise do caso na CVM, a área técnica do órgão recomendou a rejeição de propostas apresentadas pelos envolvidos para encerrar o processo. Entretanto, quando o caso chegou ao colegiado, Machado pediu vista do processo e posteriormente apresentou voto favorável à aceitação do termo de compromisso.

Com a decisão, Vorcaro pagou uma multa de R$ 250 mil e o processo foi encerrado sem aplicação de outras sanções.

A Polícia Federal observa ainda que cerca de seis meses após esse voto, Machado deixou a CVM e passou a atuar no escritório Warde Advogados, que prestava serviços ao Banco Master e ao próprio Daniel Vorcaro.

O escritório afirmou que a contratação ocorreu respeitando o período de quarentena exigido pela legislação e negou qualquer irregularidade ou violação ética.

As investigações seguem em andamento e fazem parte de um conjunto mais amplo de apurações sobre operações financeiras relacionadas ao Banco Master.

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