A Polícia Federal (PF) realizou ao menos 14 operações em diferentes Estados no período de aproximadamente 24 horas em que Andrei Rodrigues esteve afastado do cargo de diretor-geral da corporação. A determinação partiu do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), na manhã de terça-feira (8). No dia seguinte, o ministro Flávio Dino determinou a recondução de Rodrigues, sob o argumento de que havia risco de paralisação das atividades da instituição.
Mesmo durante a troca no comando, agentes federais cumpriram mais de 80 mandados judiciais relacionados a diferentes investigações. Parte das ações contou com a participação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado, coordenada pela própria PF.
O afastamento também atingiu o diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada. Após a decisão, 11 diretores divulgaram uma manifestação em defesa de Rodrigues e colocaram os próprios cargos à disposição, mas nenhum deles acabou destituído.
Operações atingiram diferentes tipos de crime
Entre as ações realizadas no período está a Operação Archimagus, em Campinas, que teve como alvo o tráfico de drogas. Foram cumpridos dois mandados de prisão temporária e dez de busca e apreensão.
No Rio Grande do Norte, a PF cumpriu quatro mandados de prisão preventiva e outros quatro de busca e apreensão.
Já na fronteira com o Uruguai, a Operação Cold Trail investigou crimes relacionados a câmbio paralelo, remessas irregulares de valores e lavagem de dinheiro. A ação resultou em duas prisões temporárias, dez mandados de busca e apreensão e dez buscas pessoais. A Justiça determinou ainda o bloqueio de R$ 254 milhões em bens e valores.
A corporação também realizou ações de combate ao trabalho em condições análogas à escravidão e três operações relacionadas a crimes eleitorais em Roraima, Rondônia e Rio de Janeiro.
Em Alagoas, a Operação Geração Espontânea investigou um esquema de concessão ilegal de pensões por morte do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Ao todo, foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão.
Superintendentes defendem autonomia da corporação
Após a recondução de Andrei Rodrigues, superintendentes da PF divulgaram uma manifestação em defesa da autonomia institucional. Segundo o comunicado, divergências entre autoridades não deveriam comprometer o funcionamento da corporação.
O documento afirma que a atuação da PF não deve ficar subordinada a interesses circunstanciais nem ser afetada por disputas de natureza político-eleitoral. Os superintendentes também defenderam que eventuais tentativas de interferência externa que prejudiquem a autonomia da instituição sejam rejeitadas.
A decisão de Mendonça havia determinado o afastamento de Rodrigues e de Leandro Almada. Segundo o ministro, a medida tinha como objetivo garantir que integrantes do STF, o advogado-geral da União, Jorge Messias, e servidores da PF pudessem exercer suas funções sem constrangimentos considerados ilegais.
A crise no comando da Polícia Federal ocorre em meio a uma sequência de decisões de ministros do STF envolvendo a direção da corporação e investigações conduzidas por seus agentes.