PGR deve encerrar negociações de delação com ex-presidente do BRB
Investigadores avaliam que Paulo Henrique Costa não apresentou informações inéditas capazes de justificar acordo de colaboração premiada
Por: Redação
10/06/2026 às 14:15

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
A Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal caminham para encerrar as negociações de um possível acordo de colaboração premiada com Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB). Preso desde abril no âmbito das investigações sobre operações envolvendo o BRB e o Banco Master, Costa tenta negociar uma delação, mas enfrenta resistência dos investigadores.
Segundo fontes ligadas ao caso, o principal motivo para a rejeição da proposta é a avaliação de que o ex-dirigente não apresentou informações inéditas ou elementos capazes de acrescentar fatos relevantes às investigações já em andamento.
Antes mesmo da rejeição da primeira proposta de colaboração do banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, Paulo Henrique Costa já buscava abrir diálogo com a PF e o Ministério Público Federal. A estratégia era demonstrar que poderia fornecer novas informações sobre a relação entre as duas instituições financeiras.
Investigadores apontam falta de novidades
De acordo com a reportagem, representantes da defesa participaram de reuniões com integrantes da PGR e da Polícia Federal no fim de maio para apresentar, de forma genérica, os temas que poderiam integrar uma eventual colaboração. No entanto, os órgãos de investigação não demonstraram interesse em avançar para a assinatura de um termo de confidencialidade, etapa considerada essencial para formalizar negociações de delação premiada.
Entre os fatores que dificultam o avanço das tratativas está a avaliação de que Costa pouco acrescentou ao material já reunido pela investigação. Além disso, investigadores apontam que ele teria resistido a reconhecer fatos considerados consolidados pela Polícia Federal.
Um dos pontos citados envolve a suposta negociação de apartamentos de alto padrão que, segundo a investigação, teriam sido oferecidos como contrapartida pela aquisição de carteiras de crédito do Banco Master pelo BRB.
Caso Master
Na decisão que autorizou a prisão preventiva de Paulo Henrique Costa, o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça classificou o ex-presidente do BRB como uma "peça essencial" no esquema investigado. Segundo a apuração, a compra de ativos considerados problemáticos do Banco Master teria sido recompensada com seis imóveis de luxo localizados em Brasília e São Paulo, avaliados em aproximadamente R$ 146 milhões.
A Polícia Federal afirma que os imóveis fariam parte de um acordo entre Costa e Daniel Vorcaro relacionado às operações entre as duas instituições financeiras. A investigação sustenta que parte desses pagamentos teria alcançado cerca de R$ 74 milhões antes da interrupção das transferências.
Os investigadores também apuram a atuação de outros envolvidos na estrutura financeira do suposto esquema, incluindo movimentações por meio de fundos de investimento utilizados para ocultar recursos.
Benefícios podem ser revistos
Caso as negociações sejam definitivamente encerradas, Paulo Henrique Costa poderá perder o benefício de permanecer detido no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha. A transferência para a unidade ocorreu a pedido da defesa, que alegou melhores condições para análise de documentos relacionados ao caso.
A defesa do ex-presidente do BRB tem cobrado uma definição formal das autoridades sobre a proposta de colaboração. Já integrantes da investigação sustentam que não existe obrigação de formalizar uma negativa porque o termo de confidencialidade jamais chegou a ser assinado.
Até o momento, não há decisão definitiva anunciada oficialmente pela PGR ou pela Polícia Federal sobre o encerramento das tratativas.
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