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Relator descarta anistia a Bolsonaro e expõe impasse dentro da Câmara sobre PL da Dosimetria
Relator descarta anistia a Bolsonaro e expõe impasse dentro da Câmara sobre PL da Dosimetria
Paulinho da Força diz que texto reduz pena, mas não devolve elegibilidade; direita vê manobra para manter Lula sem adversários fortes em 2026
Por: Redação
08/12/2025 às 11:51

Foto: Divulgação
O relator do PL da Dosimetria, deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), afirmou nesta segunda-feira (8) que seu texto não concede anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro, eliminando qualquer possibilidade de o líder conservador voltar a disputar a Presidência em 2026.
A posição do relator contraria diretamente a condição estabelecida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que afirmou no fim de semana que só retiraria sua pré-candidatura caso o pai estivesse “livre, nas urnas”.
Segundo Paulinho, a anistia “está fora de questão”. O deputado afirma que seu texto até reduz a pena aplicada pelo STF — de 27 anos e 3 meses para 2 anos e 4 meses — mas não restaura os direitos políticos do ex-presidente.
“Meu texto contempla o Bolsonaro, só não resolve o problema dele. Quer benefício maior que esse?”, disse.
A fala provocou forte reação entre parlamentares alinhados à direita, que veem a postura do relator como parte de uma estratégia para neutralizar Bolsonaro politicamente e preservar a vantagem eleitoral do atual governo em 2026.
Em entrevista à Record, Flávio reforçou que sua pré-candidatura é uma resposta às “injustiças” cometidas contra seu pai e contra milhões de brasileiros.
“Quase 60 milhões de brasileiros foram sequestrados. A minha pré-candidatura é consciente. Representa a população que não aguenta mais tantos desmandos.”
O senador afirmou que só abre mão da disputa se Bolsonaro puder caminhar livremente pelo país:
“A única condição é termos justiça — Bolsonaro livre, caminhando com seus netos, com os filhos de Eduardo Bolsonaro.”
O PL da Dosimetria — que reduz penas para participantes das manifestações pós-eleição — teve urgência aprovada na Câmara por 311 votos, mas, segundo Paulinho da Força, não tem sustentação no Senado, ambiente hoje dominado por resistências à anistia e ao retorno de Bolsonaro ao jogo eleitoral.
A limitação imposta pelo relator joga luz sobre o cenário político: enquanto a família Bolsonaro defende que há perseguição e injustiça, a base governista comemora silenciosamente a manutenção da inelegibilidade do maior adversário de Lula.
A indicação de Flávio Bolsonaro como candidato preferido da família para 2026 surpreendeu parte do PL, que esperava um nome mais competitivo nacionalmente, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. No governo Lula, porém, a escolha foi bem recebida, pois mantém o embate com o bolsonarismo sem ameaçar diretamente a reeleição.
Uma pesquisa Datafolha divulgada em 6/12 aponta Lula com 51%, contra 36% de Flávio em eventual segundo turno — números comemorados pelo Planalto.
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